Acontece nesta quarta-feira (25), às 10h, no Fórum de Sussuarana, mais uma audiência do assassinato da comerciante Nadjane Santos de Jesus, 30 anos.

O acusado do crime, ocorrido no dia 9 de julho de 2017, é João Paulo Castro Moreira. Na ocasião, Nadjane foi sequestrada na Rua Santos Soares, em Itapuã, onde morava, e, depois, desovada na BA-526, na Região Metropolitana de Salvador. Ela tinha saído com o cachorro Mayck para comprar feijão fradinho para fazer o almoço em sua casa. A vítima foi achada morta com marcas de espancamento e violência sexual.

Nadjane foi encontrada morta em 2017 (Foto: Reprodução)

João Paulo, que nega o crime, responde por homicídio qualificado (motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e feminicidio) e ocultação de cadáver. Na audiência desta quarta serão ouvidas três testemunhas de defesa.

A mãe de Nadjane, a empregada doméstica Maria Nazaré Xavier dos Santos, deve comparecer à audiência. De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), pelo menos outras quatro já foram realizadas.

À época do crime, ela chegou a desabafar. “Se foi ele, que apodreça na cadeia, para que mais nenhuma mãe passe pelo que eu estou passando”, disse.

Outras mortes
O homem também é apontado como autor das mortes de Zenilda Silva da Conceição, 22, que teve seu corpo encontrado no dia 29 de setembro de 2017, que sofreu violência sexual e foi estrangulada, além da recepcionista Marília Matércia Sampaio de Andrade, 32. Ela foi encontrada morta com marcas de violência sexuais na Estrada do CIA-Aeroporto, no dia seguinte.

Marília morava perto de Nadjane (Foto: Reprodução) 

Familiares da recepcionista disseram acreditar que o suspeito pode ter cometido os dois crimes. O lugar onde o corpo de Marilia foi deixado é perto de onde Nadjane foi encontrada morta. As duas moravam a 15 minutos de distância uma da outra.

João Paulo foi preso um dia depois do corpo de Zenaide ser encontrado, e no mesmo dia em que a recepcionista Marília Matércia Sampaio de Andrade, 32, foi assassinada. Ele, que estava escondido em um imóvel no bairro de Mussurunga, foi autuado em flagrante por homicídio.

Dono de um lava a jato, ele usou o carro de um cliente, uma Toyota Hilux, para abandonar o corpo de Marília na Estrada CIA-Aeroporto. Tanto a família de Marília quanto a de Nadjane acreditam que elas foram forçadas a entrar no veículo.

À época, a delegada Simone Moutinho, responsável pelas investigações, declarou que ele tinha sinais de psicopatia. “A história que ele conta é uma história absurda. Foi um crime que deixou muitos indícios, por isso chegamos rápido à autoria”, pontuou.

João Paulo Moreira foi apresentado pela Polícia Civil como suspeito de feminicídio (Foto: Mauro Akin Nassor)

Manifestação
Na época dos crimes, a família e os amigos de Nadjane fizeram uma manifestação em Itapuã, cobrando uma solução para o caso. Na ocasião, o padrasto de Nadjane, o aposentado Antônio José dos Santos, contou que eles também fizeram uma manifestação no local onde ela tinha sido encontrada.

Parentes e amigos de Nadjante percorreram ruas de Itapuã em 2017 cobrando respostas sobre o caso (Foto: Evandro Veiga)

No dia em que foi morta, uma câmera de um estabelecimento da rua registrou Nadjane passando com o cachorro às 7h19. Depois, um vizinho disse à família que viu quando a comerciante passou com o cachorro, nesse mesmo horário.

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