Eduardo Viana

Agradeço a oportunidade oferecida pelo INFORMA1 de expor alguns dos meus pensamentos e leituras de cenários neste veículo. Peço licença aos leitores para uma breve apresentação deste colunista. Participo da política desde a adolescência, no começo apenas nos períodos eleitorais e sem entender de forma mais profunda e abrangente seus atores. O colapso do país no governo Dilma Rousseff foi o gatilho que me levou a perseguir maior conhecimento no tema e também agir pela mudança. Estive na linha de frente nas manifestações pelo impeachment, contra o Lula e, como coordenador de um dos principais movimentos políticos, cobri momentos marcantes da nossa história, como o julgamento do STF que decidiu pela prisão após condenação em segunda instância e a prisão do ex-presidente. Como empreendedor, vejo as amarras que o Estado coloca no cidadão brasileiro e comemoro alguns avanços recentes para uma economia mais liberal. Conhecendo de perto o modus operandi da esquerda e suas estratégias, cada vez mais percebo a importância do pensamento conservador, errônea e propositalmente confundido com o reacionário. Precisamos preservar o que temos de bom, nossos valores e princípios. Ao contrário do que o clássico “É a economia, estúpido” sugere, não se trata apenas dela, não foi à toa que o marxismo migrou da revolução do proletariado para o marxismo cultural. Agora, vamos à coluna inaugural propriamente dita.

Esse ano começou com expectativas conflitantes. De um lado, alguns previam um crescimento no Produto Interno Bruto (PIB), a soma de toda os produtos e serviços finais produzidos no país, de até 3%, o risco-país, com sucessivas reduções, estava em um patamar histórico, assim como o índice de referência da BOVESPA, com valorização recorde, melhor geração líquida de empregos desde 2013, entre outras fontes de entusiasmo. Do outro, alguns apontavam a demora e dúvidas em torno do seguimento das reformas tributária, administrativa, entre outras pautas importantes e resultados menos animadores do final de 2019. Isso, naturalmente, tratando de quem efetivamente estava preocupado com o país e buscando o melhor pra ele, sem considerar o segmento “quanto pior melhor” e semelhantes.

Infelizmente, junto com 2020 começaram a chegar relatos crescentes sobre um vírus chinês. Até o carnaval, houve uma aparente ausência de qualquer temor em relação à doença e sua eventual propagação em território nacional, possivelmente impulsionada pelo grande fluxo de turistas e foliões. Após a festa, o noticiário e a classe política focaram suas atenções no coronavírus. Com imagens aterrorizantes da Itália, e sem nenhuma ponderação entre as muitas possíveis, a população brasileira começou a enxergar uma tragédia iminente. A partir do início do isolamento social, um ciclo vicioso se formou: pessoas entediadas e alarmadas em suas casas começaram a assistir mais televisão, com os canais dedicando boa parte de sua programação ao vírus, gerando mais apreensão.

Com o pânico generalizado, sendo o medo um dos mais poderosos catalisadores, parte considerável da população se rendeu a todos os tipos de agressão, com retrocessos e prejuízos incalculáveis. O pior de tudo: muitos aplaudindo e pedindo mais. Uma síndrome de Estocolmo massificada. Quando se desenha um quadro de morte iminente como alternativa, muito se aceita do que em outra situação seria rechaçado.

Podemos dividir a morte do Brasil que queremos, ou os movimentos nesse sentido, em alguns grupos: execução de pautas clássicas da esquerda, inclusive com o ataque aos nossos direitos fundamentais, caos social e desordem pública, destruição da economia e corrupção sem controle. Entre as pautas clássicas da esquerda, vimos a soltura de presos, ironicamente sendo soltos enquanto aos cidadãos é demandado que fiquem em casa, e ambos os movimentos contraditórios sendo justificados pelo mesmo motivo. Em outra pauta, o Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à pandemia, com sua ânsia usurpadora de competências legislativas, marcou julgamento sobre o aborto em casos de mães com zika vírus.

Não menos importante, estamos vendo medidas extremamente autoritárias que deixariam o Grande Irmão do fantástico 1984 com muito orgulho e inveja. Na Bahia, o governador disse abertamente que vai rastrear postagens contrárias ao isolamento em redes sociais e denunciar ao Ministério Público (que certamente deve ter investigações mais relevantes a conduzir). Já o seu equivalente paulista, diz que vai usar o celular dos cidadãos para acompanhamento do percentual de isolamento da população, supostamente com dados anonimizados. Alinhado a isso, em diversos locais, pessoas estão sendo detidas por uma simples caminhada, querem nos tirar o direito de ir e vir a qualquer custo. Outro direito que a esquerda odeia e está sendo dilacerado nessa crise é o de propriedade, com comerciantes, distribuidores, sendo saqueados com o uso da força estatal.

O caos social e a desordem pública pareceu ser, em diversos momentos, o objetivo velado de alguns bem-intencionados. Frigoríficos interditados, caminhoneiros desassistidos nas estradas, com os pontos de apoios fechados por governadores, tentativas de fechar totalmente aeroportos, quebrando a preciosa cadeia logística, foram algumas das ações que sugerem uma tentativa de levar ao desabastecimento da população. Na economia, o saldo já é de 600 mil empresas fechadas e 9 milhões de desempregados. Provavelmente, estamos vivendo a maior destruição da história do país. A responsabilidade fiscal, inimiga mortal da esquerda e políticos de modo geral, foi totalmente subjugada, liberou o caixa. O teto de gastos foi, enfim, abatido. Junto dessa bonança fiscal, vem a oportunidade para corrupção, e, para acompanhá-la, a dispensa de licitações. O governador do Rio foi além, decretando sigilo nas contratações emergenciais que somam R$ 1 bi.

Felizmente, o monopólio da narrativa foi quebrado e um número considerável de pessoas já percebeu esses pontos e também a militância pró-caos de setores da mídia, o alinhamento de diversas frentes, da extrema-esquerda até liberais menos escrupulosos, pela tentativa de golpe para derrubar o presidente. É preciso cobrar das autoridades uma maior fartura de dados sobre a pandemia no Brasil, entender quais são os efeitos das nossas particularidades em sua propagação e mortalidade e um plano de retorno das atividades econômicas, de educação, etc. As manifestações ocorridas nesse final de semana foram fundamentais para mostrar que o povo está ciente das atrocidades sendo cometidas sob o guarda-chuva do coronavírus e não vai aceitar sua continuação e escalada.

O Brasil que queremos foi arrasado, ficou muito mais distante, mas não desistiremos. 

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