Um dia após apresentar plano de flexibilização das atividades em Salvador, o prefeito de Salvador, ACM Neto, abordou, em entrevista ao Jornal da Manhã desta quarta-feira (8), os índice de ocupação de leitos de UTI na capital baiana e afirmou que houve uma mudança no perfil dos pacientes com coronavírus internados na capital baiana.

Segundo o prefeito, existe um fluxo maior de infectados do interior que são transferidos para Salvador para receber tratamento, o que impacta diretamente na taxa de ocupação da cidade.

“No início da pandemia, o número de pessoas que moravam em Salvador e ocupavam leitos chegou a 90%. Agora esse número é inferior a 60%. Ou seja, cada vez mais esses leitos estão sendo ocupados por pessoas do interior. Nós jamais fizemos qualquer discriminação com quem é do interior ou da capital. Estamos aceitando receber todo mundo. O sistema é um só e a vida do interior importa tanto quanto a vida da capital. É fundamental que as prefeituras, sobretudo da região metropolitana e cidades mais próximas, tenham um trabalho rigoroso de contenção. Ou a taxa da capital não vai cair. O que interessa são os dados de Salvador, mas quase todos os leitos de UTI disponíveis nos municípios da região metropolitana e municípios próximos estão na própria capital”, afirmou o prefeito.

“Estamos fazendo um esforço enorme para ampliar a capacidade de leitos, ontem mesmo anunciei 75 novos leitos até o fim do mês. Agora, a gente não vai reduzir a taxa de ocupação, se o interior não fizer sua parte e contiver o encaminhamento de pacientes para a capital”, completou.

A estratégia para retomada das atividades em Salvador é pautada na taxa de ocupação de leitos de UTI. Quanto menor o índice, maior o número de estabelecimentos que poderão voltar a funcionar.

A primeira fase, que engloba os shoppings centers, poderá ser adotada após a taxa de ocupação e leitos de UTI ficar em, no máximo, 75% por cinco dias consecutivos. Atualmente, o índice é de 79%. Em entrevista ao Jornal da Manhã desta quarta-feira, ACM Neto abordou o número e afirmou que existe uma mudança no perfil dos pacientes com coronavírus internados na capital baiana.

A redução na taxa de ocupação de leitos de UTI não é, entretanto, a única medida necessária para a reabertura dos shoppings de Salvador. No protocolo definido pela prefeitura, todos os funcionários dos centros comerciais da cidade precisarão passar por testes a cada 21 dias. Ao Jornal da Manhã, o coordenador regional da Associação Brasileira de Shoppings Centers, Edson Piaggio, relatou as dificuldades dos comerciantes e pontuou que tentará conversar com a prefeitura.

“Isso representa um custo para os lojistas, que já estão com 120 dias quase fechados. Isso é um custo adicional, mas se o protocolo prevê, se é uma determinação da prefeitura, nós vamos voltar a discutir com a prefeitura”.

ACM Neto destacou que a testagem em massa é necessária para evitar a contaminação de funcionários e clientes.

“Já perdi as contas de quantas vezes conversei com os representantes do comércio de Salvador. Entendo o drama que eles estão vivendo. Tem muita gente realmente com medo de perder seu negócio para sempre, ver o esforço de uma vida ser jogado fora em função dessa pandemia. Compreendo. O nosso desejo é que todos os funcionários, antes de voltar às atividades, possam ser testados. Para segurança do ambiente de trabalho, do comerciário, e o cliente que vai frequentar o shopping. Seria muito ruim que um lojista voltasse a trabalhar sem sentir sintomas e fosse um vetor de contaminação. Estamos abertos a conversar. A ideia é que os testes possam ser feitos. Quando estivermos nos aproximando da taxa de 75%, vamos autorizar que eles comecem a fazer os testes. Teria o tempo necessário dos cinco dias em 75%, logo depois retomar o funcionamento das lojas”, declarou.

Na primeira fase do plano de reabertura, o protocolo define que o funcionamento dos shoppings estará restrito ao período das 12h às 20h, de segunda a sábado. As praças de alimentação estarão proibidas de atuar para consumo no local.

A capacidade máxima permitida será de um cliente para cada nove metros quadrados na área comum, enquanto a capacidade das lojas será de um cliente a cada cinco metros quadrados. Os estacionamentos só poderão ter 50% da lotação. Todos os funcionários deverão utilizar máscaras.

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