RIO — A entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a jornalistas estrangeiros, parte da estratégia para sensibilizar a opinião pública estrangeira, rendeu diferentes relatos sobre as declarações feitas pelo petista — de olhares mais críticos, recheados de detalhes das investigações, a abordagens relatoriais, menos incômodas.

Em diversas frentes, o governo vem buscando na imprensa internacional um meio de amplificar sua versão. Dois pilares compõem o plano: os argumentos em defesa da continuidade do mandato da presidente Dilma Rousseff e a resposta às denúncias que recaem sobre o ex-presidente.

Há poucos dias, Dilma já cumprira o roteiro ao conversar com correspondentes estrangeiros. Jaques Wagner, hoje chefe de gabinete da presidente, e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, também seguiram o script. Ontem, o Instituto Lula manteve a estratégia ao divulgar uma nota, em três idiomas (português, inglês e espanhol), em que aborda a situação do ex-presidente junto à Justiça.

Em contra-ataque, líderes da oposição também recorreram à imprensa internacional (veja ao lado).

Para o jornal espanhol “El País”, o convite de Lula foi um “sintoma” de como andam as relações entre o governo e a imprensa brasileira. O britânico “The Guardian” classificou a entrevista como um esforço de driblar o que o PT considera uma “mídia hostil”. Já o francês “Le Monde” pôs no título: “Lula com a missão de seduzir para defender Dilma Rousseff”.

As reportagens do norte-americano “The New York Times” e do “Guardian” apresentaram contrapontos que põem em dúvida a estratégia de massificar a reprodução de pontos de vista favoráveis a Lula e ao governo. Ao lembrar que a sua nomeação na Casa Civil está suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o “New York Times” citou que as investigações levaram à cadeia “magnatas da construção, executivos do petróleo e confidentes de Lula”.

O “Guardian” afirmou que o ex-presidente não conseguiu explicar como ele e Dilma comandaram o país sem notar que “enormes esquemas de corrupção” financiavam campanhas eleitorais de grandes partidos.

Os impactos políticos do desembarque do PMDB, oficializado ontem, foram lembrados pelo argentino “La Nación”. A velocidade dos acontecimentos força o governo, agora, a acelerar conversas com outros interlocutores: deputados e senadores, os responsáveis por deter ou permitir o impeachment.

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