Estudantes do quinto ano do curso de medicina da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), do campus de Salvador, se queixam da falta de professores na instituição e afirmam que têm sido prejudicados sem as aulas práticas por causa desse déficit no corpo docente.

O curso é feito em seis anos e, nos dois últimos, os alunos saem da sala de aula para a prática, chamada de internato, com acompanhamento feito de perto por professores médicos. As turmas chegaram a iniciar o processo, mas estão sem o internato por causa da pandemia da Covid-19. Os estudantes a universidade afirmam que a Uneb suspendeu o internato por causa da falta de professores.

A universidade informou que deve contratar até 21 professores médicos para o internato através de Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), mas ainda não abril edital e que o prazo para inscrição e seleção dos candidatos serão definidos depois da publicação. A Secretaria de Administração do Estado (Saeb), por sua vez, disse que aguarda os trâmites legais da instituição para que o edital seja publicado.

Enquanto a situação não é resolvida, os alunos questionam a medida da instituição de ensino e cobra medidas para que o caso seja resolvido.

“Somente a Uneb, única universidade do estado que está parada por causa de déficit de docente. Durante o tempo da pandemia houve vencimento de alguns contratos de docentes, houve licença maternidade de professoras e nos deparamos com a ausência de retorno. Não por conta das demandas trazidas pela Covid-19, mas pela falta de professores”, disse o estudante Douglas Pires.

Douglas ainda conta que, assim como os colegas, imaginava que não teria problema por falta de professores, já que os estudantes de algumas turmas já conseguiram se formar.

“Esperávamos que o quadro estivesse completo. Quando, na verdade, agora faltando um ano para formar, a gente não tem três rodízios de obstetrícia, de pediatria e medicina e comunidade. A gente não tem nenhum professor, então não tem estrutura para voltar. O aluno não pode estar no serviço sem ter um preceptor”, contou.

Caso estivessem praticando o internato, os estudantes estariam atendendo pacientes em hospitais públicos e Unidades de Saúde da Família (USF) de Salvador. Mas sem a prática, eles deixam de desenvolver o que foi aprendido em sala de aula e as unidades deixam de ter mais gente nas atividades assistenciais.

“A sensação é de impotência. A gente precisa da prática, não somente a teoria. A prática é muito mais relevante para a formação. Não estar atuando, ainda mais em período de pandemia como esse, é angustiante”, disse Laís de Melo, aluna da instituição.

Além do prejuízo sem aulas, alguns os alunos que são oriundos de outras cidades têm despesas em se manter na capital baiana.

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