Por Gabriel Amorim

Desde que os primeiros casos de coronavírus surgiram, a procura por álcool em gel disparou e o produto sumiu das prateleiras das farmácias, assim como os equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas. Com o esvaziamento nos estoques, tem gente chegando ao cúmulo de furtar o produto higienizador.

No Aeroporto de Salvador, por exemplo, o álcool em gel que fica à disposição dos passageiros virou objeto de furto. Nos últimos dias, um leitor flagrou os suportes que ficam no Salvador Bahia Airport vazios, sem os frascos do produto, tão necessários durante a pandemia. Questionado, o aeroporto respondeu que tem sofrido com a prática constantemente e que são levados, em média, 40 refis de 500 ml por dia por quem passa por lá.

Por conta do desaparecimento dos produtos, a administração do local precisou tomar medidas para tentar barrar quem quer levar o álcool em gel para casa. “O fato registrado pelo leitor ocorre diariamente no terminal de passageiros há cerca de duas semanas. Por conta desses episódios, foi necessário reduzir o número de dispensers disponíveis e concentrá-los em locais de maior vigilância ou no foco das câmeras de videomonitoramento”, disse o aeroporto em nota.

Além da mudança na disposição dos produtos, foi preciso intensificar abordagens pela forma correta de usar o produto que está disponível nos terminais.  “A administração orienta a todos os transeuntes do terminal de passageiros a fazerem uso consciente do recurso, uma vez que ele é necessário para prevenir a disseminação do coronavírus e está escasso no mercado. Isso inclui não encher recipientes individuais e utilizar somente a quantia necessária para a higienização das mãos”, finaliza o texto.

Hospitais escapam
O que já é uma realidade na rotina do aeroporto não se repete nas unidades de saúde da Bahia. Questionadas, tanto a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) quanto a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) negaram qualquer caso semelhante de furto ou de usuários usando os estoques das unidades para abastecer recipientes próprios. Ambas as pastas também dizem estar sem qualquer problema nos estoques do álcool em gel.

Nas clínicas e hospitais particulares também não há qualquer registro de casos semelhantes. Segundo informações da  Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb), todas as unidades de saúde da rede privada têm o produto no estoque, contudo, a quantidade não é regular e o estoque é baixo.

“Não temos medido esforços para oferecer os produtos que, mais do que nunca, são básicos. E estamos oferecendo, mas os estoques estão baixos e as compras têm sido feitas com muito mais frequência, o que tem sido um desafio para as unidades”, declarou Mauro Adan, presidente da associação.

Casos de polícia
Diante de tanta procura, o álcool em gel acabou virando, também, caso de polícia em tempos de pandemia. A venda do produto e do outros itens de proteção, inclusive, tem sido alvo de operações de fiscalização pelos órgãos competentes.

Na última sexta-feira (20), equipes da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), percorreram cinco bairros de Salvador apurando denúncias da prática de preços abusivos nos produtos. Durante as ações, dois homens chegaram a ser levados para a Decon após serem flagrados na Mouraria, vendendo álcool em gel e máscaras sem autorização para a comercialização. O material foi apreendido, enquanto a dupla foi ouvida e liberada.

Coordenando a fiscalização, a delegada Glória Isabel destacou a importâncias do cuidado com este tipo de comercialização. “Esses são produtos que precisam de licenças específicas, não podem ser vendidos no meio da rua e sem os critérios estabelecidos para a sua regulamentação”, explica.

Na última segunda (23), aproximadamente 440 litros de álcool em gel foram apreendidos. O produto, que estava sendo anunciado nas redes sociais,  era comercializado e armazenado de forma irregular, e foi encontrado por policiais do Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (DCCP) nos bairros da Boca do Rio e Pituba.

Na Pituba, os policiais flagraram o dono uma loja de produtos para informática comercializando álcool em gel de forma irregular. Com o homem foram apreendidos 53 galões de cinco litros, 64 de um litro e 35 frascos de 300 ml. Parte do material foi apreendida em um galpão, no bairro da Boca do Rio.

De acordo com a delegada Glória Isabel, que coordenou a ação, o suspeito também praticava preço abusivo.“Ele estava vendendo os galões de cinco litros, que custavam em média de R$ 50, por R$ 180. Além disso, ele fracionava o produto em frascos de 300 ml, caracterizando o manuseio irregular desse material”, detalhou.

Outro crime envolvendo álcool em gel ocorreu no interior. Uma fábrica clandestina foi desmontada no município de Cruz das Almas na última sexta-feira (20). O estabelecimento fabricava e vendia os produtos de forma irregular.

No galpão, segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram encontradas máquinas como envazador, misturador, milhares de embalagens com rótulo de álcool em gel 70%, 11 tonéis com insumos, sete galões de propileno glicol, centenas de caixas para embalar, 15 caixas com o produto já pronto para venda, centenas de embalagens de gel de cabelo vazias, além de frascos de perfumes que também eram falsificados no local.

Fonte: Correio da Bahia

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