Novo presidente do PT de Salvador, Ademário Costa garantiu, ontem, que seu partido terá candidato a prefeito na capital baiana em 2020, quando acontecerá a sucessão de ACM Neto (DEM). , mas disse que vai participar das discussões da sigla sobre o postulante ao Palácio Thomé de Souza. Ele assumirá o posto hoje ocupado pelo ex-vereador Gilmar Santiago.

Em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, Costa afirmou que foi eleito pela militância do PT com a promessa de a agremiação partidária ter candidato na capital. “O PT terá candidato. Essa foi a estratégia aprovada no processo eleitoral. Fui eleito com essa proposta. Está na proposta da minha gestão. Tivemos dois pontos centrais. A luta pela liberdade do (ex-) presidente Lula. E a garantia da candidatura própria do PT a Salvador”, afirmou, ao defender o diálogo com legendas da base aliada do governador Rui Costa (PT).“No sentido de que somos o partido que lidera a coalização no estado. O nosso movimento tem que ser para agregar a base. O PT terá candidato próprio, mas tem que ser dentro do movimento de agregar a base”, emendou.

Para ele, foi um “desastre” o seu partido não ter candidato em 2016 e apoiar a deputada federal Alice Portugal (PCdoB) na eleição. “O PT é o maior partido de esquerda, de oposição. A falta de um candidato desmobilizou a base eleitoral da esquerda. O tamanho que ACM Neto saiu das urnas é fictício porque o principal adversário dele não se apresentou”, ressaltou. Segundo ele, a intenção é definir o nome para entrar na corrida eleitoral até o final do ano. A sigla tem hoje seis interessados em ser candidato: os deputados federais Nelson Pelegrino, Valmir Assunção e Jorge Solla, o deputado estadual Robinson Almeida, o vereador Moisés Rocha e Vilma Reis. “Nós temos uma opinião de que o PT deve fazer isso até o final do ano. O PT agora deve afunilar. Nós temos seis companheiros valorizados e queremos dois ou três já no mês de outubro para que tenha um nome até o final do ano”, declarou.

Sobre o desejo de parte dos militantes do PT de que o partido tenha candidatura negra, Ademário Costa afirmou que observa a proposta com “bons olhos”. Ele, porém, fez uma ponderação. O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, é um dos principais defensores desta ideia. “A questão negra é central. Não podemos entrar nas eleições de 2020 desconhecendo que Salvador é uma cidade que tem 80% da população negra e nunca foi representada pela esquerda. Hoje temos uma maturidade. Agora, esses setores da esquerda negra precisam constituir uma base para emplacar o seu projeto porque política é força e diálogo”, afirmou o novo presidente do partido.

Sobre a participação do governador Rui Costa e do senador Jaques Wagner na definição da candidatura do PT, Ademário Costa afirmou que: “São os dois maiores líderes do PT. São os dois maiores quadros. O PT terá que ter a capacidade de fazer dois movimentos. Um movimento de acúmulo de forças. E outro movimento de diálogo com esses líderes. É força e diálogo. O acúmulo de força é para ter base social. É ter um programa de governo. Ter nome para que possa ter diálogo com os nossos principais líderes políticos”.

Ademário Costa disse que é a favor da proposta da atual gestão do PT de realizar uma caravana pela cidade para definir o candidato e o programa de governo. “Acho a proposta muito interesse. Tenho total conhecimento desta proposta aprovada pela Executiva municipal e considero importante. Não é porque é uma nova gestão que vai desprezar o que foi importante na atual. Vamos aplicar essa proposta das caravanas. Se for o desejo do atual presidente manter o calendário (de definição de programa e candidato), terá o nosso apoio. Mas se atual gestão achar que deve ser em janeiro, fevereiro, depois do carnaval, a gente fará”, pontuou.

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