O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), subiu o tom, ontem, e ameaçou barrar o projeto do governo de construir a ponte Salvador e Itaparica. No mesmo dia, a gestão estadual publicou no Diário Oficial o aviso de licitação. O democrata reclamou de não ter, até o momento, nenhum diálogo do governo com a prefeitura.

“Como é que um projeto desse pode ser licitado se a prefeitura de Salvador, que é a principal cidade afetada por essa obra, sequer conhece o impacto da obra? Como é que vai encaixar na cidade? Como é que o volume de tráfego vai atravessar Salvador cortando  o coração da cidade? Isso não vai acontecer por cima da prefeitura. Não há hipótese. Não conheço o projeto. Não tenho nenhum detalhe do projeto. Nunca isso foi tratado com seriedade pelo governo com a prefeitura. E não vai passar por cima da prefeitura. Agora, quando o governo tiver disposto a apresentar o projeto, a mostrar qual o impacto na cidade, será outra coisa”, declarou ACM Neto, em entrevista à imprensa.

O prefeito ainda pôs em dúvida a capacidade do governo de financiar a obra. A administração estadual tem dito que as obras e os serviços de operação e manutenção deste novo sistema rodoviário vão ser executados por meio de Parceria Público-Privada (PPP), na modalidade de concessão patrocinada. “Até o final de novembro, nós faremos o leilão na Bolsa de Valores de São Paulo”, disse o governador Rui Costa (PT) nas redes sociais. Para ACM Neto, há risco de as gerações futuras terem que arcar com o custo da obra.

“Não adianta o governo achar que  nós vamos permitir que ele endivide as próximas gerações de baianos. É fácil contratar um projeto agora e colocar toda a conta para deixar para pagar no futuro. Não vamos aceitar isso. Se o governo tiver condições de saúde financeira para bancar uma obra deste porte e se for compatível com a cidade,o.k. Se não for compatível com a cidade, não está o.k e não vai ter a concordância da prefeitura. E, se o governo não tiver condições de bancar essa obra e quiser que futuras gerações paguem, eu também sou contra”, afirmou o democrata.

Segundo o governo, a ponte Salvador-Itaparica terá 12,4 km de extensão e integrará o Sistema Viário do Oeste (SVO) e, de acordo com a gestão estadual, beneficiará 10 milhões de pessoas, que vivem em cerca de 250 municípios da Bahia. Com a construção da ponte e demais intervenções viárias do projeto, o governo informou que a Ilha de Itaparica, o sul do Recôncavo e o território do Baixo Sul “terão o crescimento socioeconômico estimulado, como ocorreu no Litoral Norte após a construção da Estrada do Coco e da Linha Verde”.

VLT – A ponte não é o único projeto do governo que ACM Neto tem criticado. No mês passado, o prefeito também afirmou desconhecer a proposta do Veículo Leve de Transporte (VLT), que será construído pelo governo do Estado no Subúrbio da capital baiana. O democrata sugeriu que só concederia isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para a obra após o governador Rui Costa apresentar a proposta do modal para o Executivo municipal.

“Acho que o governador tem que conversar com a Prefeitura sobre o assunto. Claro que a palavra final é da Câmara Municipal, mas a autoria de uma eventual isenção cabe ao Poder Municipal. Isso nunca foi tratado com a gente. Não sabemos como esse projeto vai se encaixar na cidade, o plano de execução das obras, como vai ser a integração ao sistema de transporte. Precisamos saber. Sou favorável ao VLT. Acho bom que aconteça, mas eu preciso conhecer o projeto do ponto de vista técnico”, declarou ACM Neto.

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