Por Gabriel Moura

Com inauguração prevista para novembro, a primeira etapa do BRT (ligando a LIP ao Jardim dos Namorados) já pode começar funcionando com ônibus elétricos. Ao menos essa é a intenção da prefeitura, que nesta quinta-feira (30) promoveu um encontro de fabricantes, financiadores, integrantes do setor público e privado de transporte público no Hub Salvador para discutir a possibilidade.

A ideia do órgão municipal é que, ao reunir todas as partes interessadas do projeto, a negociação avance – com o martelo podendo ser batido nos próximos dias seja para confirmação ou adiamento dos ônibus elétricos em Salvador já em 2020. Em entrevista coletiva, o prefeito ACM Neto (DEM) confirmou a intenção.

“A ideia é essa (já usá-los em novembro). Nosso objetivo é colocar na vanguarda do que há de mais moderno e sustentável em termo de transporte público do mundo, que é o ônibus elétrico. Após renovar a frota e trazer os veículos com ar-condicionado, nossa meta é trazer esses novos modelos”, explica Neto.

Durante o evento foram discutidos modelos de financiamento, operação do sistema de ônibus elétrico e estratégias de implementação na capital baiana. ACM Neto garantiu que a implementação dos novos veículos no BRT é apenas o primeiro passo, o outro seria usar ônibus elétricos em todo o transporte público soteropolitano.

“O desejo é começar pelo BRT e depois poder alcançar todo o sistema. Estamos fazendo a renovação de 250 ônibus por ano e assim vai até chegar mil. Mas o objetivo é aposentar os veículos velhos, que quebram e trazem malefícios à população por novos e, de preferência, elétricos”, afirma.

Um dos principais cuidados da gestão municipal está sendo viabilizar veículos com melhor qualidade e ao mesmo tempo com tarifa equivalente à que é praticada hoje. “Eu posso assegurar que a chegada do ônibus elétrico não vai significar aumento de tarifa”, ressalta o prefeito. Ele acrescentou que, levando em consideração o custo total de aquisição, o veículo movido a energia elétrica é economicamente viável, pois, apesar de custar mais que um veículo movido a diesel, possui custos de operação, manutenção e de energia elétrica menores.

Mesmo caso não seja possível a implementação de ônibus elétricos no BRT em um primeiro momento, eles devem ser usados pouco tempo depois. Ao total, são previstos 208 veículos elétricos rodando nas linhas do novo modal do transporte público soteropolitano. A decisão da utilização ou não dos novos modelos já em novembro deve sair em, no máximo, 60 dias.

“Já temos a decisão política do prefeito ACM Neto para que seja elétrico, estamos apenas tentando viabilizar agora. Para você ter ideia, enquanto o veículo a diesel custa cerca de R$ 500 mil, o elétrico sai por R$ 1,6 milhão. Então precisamos discutir se a durabilidade é a mesma, se a manutenção é mais barata. Então vamos sair de hoje sabendo de tudo isso e iremos sentar com os bancos que irão nos apresentar linhas de crédito. Queremos ter essa equação fechada para anunciarmos que Salvador terá os ônibus elétricos no dia x com o custo y”, explica o secretário municipal de Mobilidade, Fábio Mota.

Participaram também do evento o vice-prefeito Bruno Reis, o diretor regional para América Latina do C40, Manuel Oliveira, e representantes de organizações nacionais e internacionais ligadas ao tema.

Benefícios
O meio ambiente será o maior beneficiado na implementação dos ônibus elétricos. A redução de poluentes pode chegar a 32%, além da poluição sonora e do uso de um combustível renovável. Mota afirma que a questão ambiental é a principal preocupação da prefeitura para incentivar a troca de sua frota.

“O maior emissor de CO2 de Salvador hoje é o transporte público e com a mudança o ar que respiramos ficará muito melhor. Além disso, os novos ônibus não produzem ruído, não gerando poluição sonora. Fora que o tipo de amortecimento é diferente, então se torna mais confortável para o usuário”, afirma.

Outro beneficiado pode ser o bolso dos usuários. Como o custo de operação dos ônibus elétricos são até 50% menores que os a diesel, a diferença pode ser repassada para o custo final da passagem, segundo Fábio Mota. “A durabilidade é maior, a operação e a mecânica têm um custo bem menor. Estamos discutindo para saber se, apesar de custarem mais caro no primeiro momento, o veículo acaba se pagando ao longo do tempo”, diz o secretário.

Testado e aprovado
Em julho do ano passado, um ônibus elétrico da fabricante chinesa BYD circulou em algumas linhas de Salvador. A intenção era saber se o novo veículo era capaz de atender as particularidades e demandas da capital baiana. E, segundo o Fábio Mota, o resultado foi positivo. Após passar no teste, a prefeitura já começou a mobilizar esforços para trazê-los para cá.

“É uma escala. Primeiro trouxemos um ônibus elétrico para cá e fizemos diversos testes. Uma das nossas dúvidas era se ele conseguia subir ladeiras, e conseguiu. A outra era saber se a bateria dele suportava a mesma quantidade de quilômetros rodados do tanque de diesel. Após tiradas as dúvidas, estamos perseguindo a efetivação”, detalha.

Já o representante no Brasil da Enel X (empresa de tecnologia que atua no setor de ônibus elétricos), Francisco Scroffa, diz que o verdadeiro impacto só poderá ser sentido após a implementação do sistema.

“Todos os projetos precisam ser adaptados para a realidade de Salvador. O impacto do ônibus elétrico é diferente em cada local em que é aplicado. Por exemplo: aqui em Salvador ele terá de enfrentar mais ladeiras, algo que é diferente em Estocolmo. Mas eu posso te contar o caso de Santiago, onde os operadores submeteram os veículos em condições iguais as enfrentadas pelos veículos a diesel e em todos o elétrico se saiu igual ou melhor. Além disso, ele representa uma economia de 70% no gasto de combustível”, afirma.

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