O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), afirmou ontem que vai manter Alberto Pimentel no comando da Secretaria Municipal de Trabalho, Esportes e Lazer (Semtel). A permanência dele no cargo começou a ser questionada após o gestor romper relações com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o presidente nacional do DEM, a aliança da Prefeitura com o PSL na Bahia não pode ser afetada por questões que ocorrem em Brasília.

O imbróglio começou após a deputada federal Dayane Pimentel, presidente do PSL baiano, ser flagrada em um grampo durante uma reunião de deputados do PSL. Foi nessa reunião que o deputado federal Delegado Waldir (PSL-GO) afirmou que implodiria o governo. Durante a conversa, Dayane comenta a lista com as assinaturas para colocar o deputado Eduardo Bolsonaro na liderança do PSL na Câmara Federal. Ela faz parte da tropa que defende a permanência de Luciano Bivar (PSL-PE) no comando nacional do partido. “O presidente diz: ‘Assina, senão é meu inimigo’. Quem é que não ia assinar? Por isso que eu não fui”, disse a parlamentar, no áudio vazado na imprensa.

“O secretário continua como secretário. Nossa aliança na Bahia com o PSL é independente do que está acontecendo em Brasília. São dinâmicas completamente diferentes. Quando convidei Alberto Pimentel para ser secretário, não questionei previamente nenhuma liderança nacional do PSL. As questões são locais”, garantiu o prefeito, ontem, em coletiva de imprensa. Neto ainda pediu, mais uma vez, “maturidade e responsabilidade” para superar a crise no país. “Esta semana o Senado deve concluir a votação da reforma da Previdência. A partir dela, é preciso dar início à construção de novas reformas no campo econômico. O Brasil precisa voltar a ter um ritmo de geração de emprego, que só vai acontecer com os bons sinais da política”, defendeu.

O novo posicionamento de Pimentel coincidiu com a realização de uma reunião com o prefeito ACM Neto (DEM), na semana passada. Nos bastidores, comenta-se que o gestor quer manter o PSL no arco de alianças carlista para turbinar a provável campanha do vice-prefeito Bruno Reis (DEM) na eleição de 2020 em Salvador. Nem a sigla e nem Bolsonaro, no entanto, devem ter protagonismo no pleito da capital baiana. Reis procura um nome no campo da esquerda para compor a vice na chapa.

A direita baiana tem criticado o casal diante o caso. O Movimento Brasil Livre Bahia (MBL-BA) foi um dos primeiros a comentar a postura da parlamentar no grampo vazado na imprensa. “O MBL-BA vem falando que Dayane [Pimentel] é um estelionato eleitoral há muito tempo. Ela fora eleita com os votos de Bolsonaro. Ela nunca teve voto, nunca fez nada politicamente para ter capital eleitoral. A gente vê com surpresa o tempo que levou para a máscara dela cair”, declarou Siqueira Costa Júnior, presidente do movimento.

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