O prefeito de Salvador, ACM Neto, criticou em coletiva na manhã desta quinta-feira (18) a invasão do Hospital Riverside, por parte do deputado estadual Capitão Alden (PSL), denunciada na última quarta-feira (17) pela Secretaria de Saúde do estado (Sesab).

“Lamentável e inaceitável que qualquer cidadão invada uma unidade hospitalar nesse momento. O Capitão Alden é um parlamentar com quem tenho boa relação, sempre dialogamos sobre a área de segurança pública. Mas neste episódio ele errou redondamente. Não podemos aceitar nenhum tipo de invasão a unidade hospitalar, isso gera situação de pânico para quem está lá dentro. Médicos, profissionais, pacientes. Não interessa se é UPA, hospital do município, do estado, não pode acontecer isso. É um absurdo, inaceitável, inadmissível. Esse tipo de situação tem que ser evitado e, para isso, o poder de polícia deve agir, o Ministério Público também. É uma atitude que recebe minha mais veemente contestação e lamentação que tenha ocorrido”, criticou o prefeito.

Segundo a Sesab, Capitão Alden invadiu o hospital, localizado em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, na manhã da última quarta-feira, acompanhado de seguranças particulares. A unidade de saúde é dedicada exclusivamente para pacientes diagnosticados com coronavírus. Segundo a Secretaria, o deputado demonstrava estar armado e ameaçava, a todo momento, os profissionais do hospital, afirmando que daria voz de prisão.

Em resposta, o deputado afirma que desde maio enviou ofícios ao secretário de Saúde da Bahia, solicitando visita a alguns hospitais de campanha para apurar denúncias que ele recebeu sobre falta de equipamentos de materiais de trabalho dos profissionais de saúde. Ele disse ainda que a visita foi autorizada em maio, pelo secretário de Saúde Fábio Vilas-Boas.

No entanto, em nota, a Sesab disse que informou à assessoria do deputado Capitão Alden que não seriam autorizadas visitas a hospitais com pacientes internados. A única visita autorizada foi no Hospital Arena Fonte Nova que estava, naquela oportunidade, ainda sem pacientes internados. “Não permitimos visitas às unidades Covid-19, nem de familiares”, diz a nota da Sesab.

Também em nota, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou que irá instaurar procedimento investigatório “em face do referido parlamentar, autoridade com foro por prerrogativa de função”. O MP-BA reforçou ainda que “vai apurar, respeitando o contraditório, as condutas apontadas nas mais diversas fontes jornalísticas e de informação que podem vir a ser caracterizadas como ilícitas e passíveis de responsabilização nas mais diversas áreas do direito”.

Capitão Alden é apoiador do presidente Jair Bolsonaro, que em transmissão nas redes sociais, no dia 11 de junho, incentivou pessoas a entrar em hospitais públicos ou de campanha que tratam da Covid-19 para filmar o interior das instalações.

Após a fala do presidente, já foram registradas invasões em hospitais do Rio de Janeiro, no Espírito Santo e em São Paulo. No dia 4 de junho, antes da transmissão de Bolsonaro, deputados já haviam invadido uma unidade de saúde em São Paulo.

Além disso, o procurador-Geral da República, Augusto Aras, durante pedido para que os Ministérios Públicos dos estados apurem denúncias de invasão a hospitais e ofensas a equipes, citou ameaças contra uma médica do Hospital de Ceilândia, no Distrito Federal.

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