Com isso, as ações de aéreas e empresas relacionadas ao segmento de viagens, que tiveram forte queda em meio à pandemia, sobem forte.

Por Lara Rizério – Infomoney

A sessão é de ganhos praticamente generalizados para as ações do Ibovespa, com o otimismo pela reabertura de economias ajudando a animar os mercados, apesar da cautela com os protestos nos Estados Unidos.

Com isso, as ações de aéreas e empresas relacionadas ao segmento de viagens, que tiveram forte queda em meio à pandemia, sobem forte. CVC (CVCB3) chega a subir mais de 10%; Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) também registram ganhos, ainda que mais modestos.

O noticiário corporativo desta terça tem como destaque notícias de Petrobras (PETR3;PETR4), como a fala do CEO apontando que a estatal tem liquidez suficiente para operar com o petróleo a US$ 20,00, além de divulga teaser de E&P na Bacia do Espírito Santo. A recuperação dos preços do petróleo, com o brent acima dos US$ 38 à espera da extensão de cortes de produção pela Opep+, também  beneficia os papéis da estatal, que também deu início ao “teaser” para a venda da participação em cinco blocos de exploração de petróleo localizados na Bacia do Espírito Santos. Os ativos sobem mais de 1%.

As recomendações também ganham destaque: no radar, Morgan Stanley rebaixou a underweight BR Malls (BRML3), Iguatemi (IGTA3) e Multiplan (MULT3), levando à queda das ações. Já a Ultrapar (UGPA3) foi elevada a overweight pelo Morgan Stanley e vê suas ações registrarem ganhos expressivos.  Confira os destaques:

BR Distribuidora (BRDT3)

A BR Distribuidora informou, em fato relevante, que recebeu R$ 35,5 milhões da Eletrobras referentes a uma dívida da estatal de energia.

Esses valores são referentes à 25ª da confissão de dívida da Eletrobras. Ao todo, já foram pagos R$ 4,4 bilhões.

Petrobras (PETR3;PETR4)

O barril do petróleo tipo Brent em alta deve contribuir para a valorização das ações da Petrobras no pregão desta terça-feira.

Além disso, a companhia divulgou que deu início à etapa de divulgação de oportunidade, também conhecida como “teaser”, para a venda de sua participação em cinco blocos de exploração de petróleo localizados na Bacia do Espírito Santos. Em todos os blocos a Petrobras possui participações que ficam entre 40% e 50%.

Ainda em destaque no noticiário da companhia, o CEO Roberto Castello Branco afirmou que a empresa continuará cortando custos e vendendo ativos para proteger a saúde financeira. Em um evento online
nesta segunda-feira, Castello Branco apontou que os níveis de estoque estão baixos e a empresa vai começar a recompô-los.

Ele ainda destacou que a demanda por petróleo com baixo teor de enxofre no Brasil manteve as exportações fortalecidas durante crise. Segundo o CEO, a Petrobras não precisa de nenhuma ajuda do
governo e reiterou a necessidade de regulamentação do petróleo mais favorável aos negócios para tornar o Brasil mais competitivo.

Iguatemi (IGTA3), BR Malls (BRML3) e Multiplan (MULT3)

O Morgan Stanley cortou a recomendação para os papéis de uma série de shoppings, levando em conta os efeitos que a quarentena e a reabertura parcial desses estabelecimentos terão sobre os resultados das administradoras.

Os analistas lembram que, de forma geral, os shoppings na América Latina possuem um grande número de lojistas menores e que boa parte da receita vem de restaurantes e da área de entretenimento, que deve se recuperar de forma mais lenta. “A recuperação dos padrões de tráfego de pedestres provavelmente levará anos”, avaliaram.

As recomendações do Iguatemi, BR Malls e Multiplan foram cortadas para “underweight”. Para a Cyrela Commercial Properties (CCP), a recomendação está em “overweight”.

Lojas Americanas (LAME4)

A Lojas Americanas vai emitir R$ 500 milhões em debêntures com prazo de vencimento em três anos. Os papéis serão remunerados a CDI mais 3% ao ano.

Essa operação será feita dentro das regras das ofertas restritas, ou seja, será oferecida a um número limitado de investidores.

A companhia informou que o dinheiro levantado será utilizado para reforço de caixa.

Ser Educacional (SEER3)

A Ser Educacional anunciou que acessou um empréstimo de R$ 200 milhões junto à Caixa Econômica Federal por meio da emissão de cédula de crédito bancário.

O custo da operação será de CDI mais 0,19% ao mês pelo prazo de 36 meses. O contrato prevê ainda 14 meses de carência do principal e pagamento em oito prestações trimestrais após o período de carência.

IMC (MEAL3)

A International Meal Company, dona das marcas Frango Assado e Viena, registrou um prejuízo líquido de R$ 46,1 milhões no primeiro trimestre do ano, ante prejuízo de R$ 8 milhões nos três primeiros meses de 2019.

Os analistas do Itaú BBA avaliam que o resultado foi fraco, mas com impacto neutro para o desempenho das ações.

“A empresa está racionalizando as lojas e reduzindo as despesas de vendas, gerais e administrativas. No entanto, lojas fechadas em shoppings e tráfego reduzido em estradas e aeroportos continuarão pesando nos resultados da empresa”, ressaltaram em relatório a clientes.

Alupar (ALUP11)

A companhia do setor de energia Alupar registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido societário de R$ 179,1 milhões, uma queda de 55,3% na comparação com igual período do ano passado.

Já a receita líquida da companhia foi de R$ 1,216 bilhão entre janeiro e março, uma alta de 6,2% se comparados aos mesmos meses de 2019. Já o Ebitda caiu 27%, para R$ 609,8 milhões.

O Credit Suisse destacou como positivo os resultados operações da Alupar. “A Alupar entrega resultados operacionais bons, com expansão da margem frente a uma performance de custo melhor que o esperado e a estratégia de alocação retornando bem para as unidades de geração”, avaliaram os analistas.

No caso dos custos adicionais, a Alupar registrou um recuo de 29,8%, boa parte devido ao efeito do custo mais baixo para a compra de energia.

Ultrapar (UGPA3)

O Morgan Stanley elevou a recomendação das ações da Ultrapar para “overweight”, ou seja, devem apresentar um desempenho do índice de referência. O preço alvo foi elevado de R$ 18 para R$ 21,50.

Essa elevação ocorre mesmo em um cenário de demanda mais conservador. “A pandemia em curso causou uma grande contração na demanda de combustível e é cedo para termos uma visibilidade na linha do tempo para a recuperação completa”, disseram, em relatório, os analistas.

Linx (LINX3), Sinqia (SQIA3) e Totvs (TOTS3)

O Credit Suisse alterou as recomendações para as empresas brasileiras da área de tecnologia. A Linx foi rebaixada para neutra, com preço-alvo sendo reduzido de R$ 42 para R$ 24.

A Linx oferece softwares para gestão de varejo e deve ser beneficiada pelo aumento das operações do comércio eletrônico, mas ainda o banco suíço espera um menor lucro. “O avanço do e-commerce deve ajudar mas cortamos nossa projeção do resultado líquido em 41% para 2020 e 37% para 2021 em função do menor crescimento do varejo e custos maiores”, justificaram.

A Sinqia também foi rebaixada para neutra, com preço alvo saindo de R$ 22 e indo para R$ 21. Já a recomendação para a Totvs foi mantida como neutra, com o preço-alvo passando de R$ 22,50 para R$ 21. “Enxergamos o business de ERP da Totvs como chave para o crescimento de curto prazo, mas lembramos que (o segmento) tem uma grande sensibilidade ao cenário macroeconômico.”

Lojas Marisa (AMAR3)

A Lojas Marisa está negociando com bancos a flexibilização dos parâmetros financeiros (“covenants”) em empréstimos feitos pela companhia, mas que serão descumpridos devido à piora da geração de caixa desde o início das medidas de isolamento causadas pela pandemia do coronavírus.

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia explica que passou a prever o descumprimento desses índices e por isso procurou as instituições financeiras para negociar um “waiver”, que é uma espécie de pedido de perdão.

Em alguns contratos de empréstimo, a Marisa se comprometeu a limitar a relação entre a dívida líquida da empresa a 3,5 o Ebitda. Ao final do primeiro trimestre, esse índice chegou a 3,3 vezes e deve continuar subindo com a menor geração de caixa.

Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11)

Os preços de celulose de fibra curta na China tiveram queda na semana (baixa de US$ 1,6 a tonelada), para US$ 468,2 a tonelada.

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