Por: Jailson Trindade

Já vimos muitas histórias de mortos que após serem enterrados ressurgem e saem dos seus túmulos misteriosamente. Quem não se lembra do famoso vídeo clipe da música “Thriller” de Michael Jackson, em que os mortos saem das suas covas e vão dançar no meio rua, e que acabou se tornando uma das coreografias mais famosas do mundo da música. Ou mesmo do vilão “Mun Há”, que morava em uma tumba e acordava do nada para infernizar a vida dos Thundercats (desenho animado da década de 80). É claro que não vou falar de ficção, aliás, de uma coisa que está muito bem viva, que é a ressurreição do “Carlismo” na política brasileira. Esse termo era utilizado para o grupo de políticos baianos que faziam parte da liderança do ex-senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), ACM e ACM Neto informa1.com.brque durante 16 anos comandou o cenário político baiano, governando a Bahia em três ocasiões. Muito se fala até hoje do grande legado deixado por ACM , mas a grande verdade é que no período em que comandou a Bahia, direta e indiretamente, o Estado não sofreu grandes transformações positivas, principalmente na área social. Os índices de pobreza, analfabetismo, desemprego e falta de acesso à saúde e a educação eram bastante agudos. O ex-governador realizou apenas algumas intervenções de infraestrutura urbana na capital e no interior. Os simpatizantes do “Carlismo” tinham um jargão que dizia o seguinte: “Ele rouba, mas faz”. Tudo indicava que com a morte de ACM o “Carlismo” iria ser sepultado junto com ele. Nomes importantes que faziam parte do grupo como César Borges, Antônio Imbassahy e Otto Alencar abandonaram o barco e se desligaram da legenda (PFL) e prosseguiram as suas carreiras políticas em outros partidos, o que evidenciava ainda mais o fim do “Carlismo”. Em uma tentativa desesperada de oxigenar o grupo político, o antigo partido de ACM (PFL) passa a se chamar (DEM) o que acabou não mudando muita coisa. Os três nomes fortes que ainda continuam na nova legenda são ACM Neto, Paulo Souto e José Carlos Aleluia. E essa galera acabou se dando bem. Além de Neto, eleito prefeito de Salvador em 2012, Paulo Souto está prestes a ser governador da Bahia por mais uma vez, já que está na frente das pesquisas, e Aleluia que já havia sido secretário municipal, agora tem grandes chances de ocupar uma vaga na Câmara Federal. Quando todos pensavam que o “Carlismo” estava descansando em paz com flores, velas e bem sepultado, eis que surge das cinzas ACM Neto para ressuscitar a tradição familiar deixada pelo seu avô. O atual prefeito de Salvador, ACM Neto, já havia disputado as eleições para prefeito em 2008, mas não teve êxito naquela ocasião ficando em terceiro lugar no pleito eleitoral. Entretanto, sua volta triunfal aconteceria nas eleições para prefeito em 2012. Quando todos apostavam que o PT iria conseguir finalmente abocanhar a prefeitura da terceira capital do país, com todo o empurrão do ex-presidente Lula, Neto conseguiu uma vitória histórica. No ano das eleições para prefeito, dois eventos deixaram a imagem do PT e do seu adversário, Nelson Pelegrino (PT), bastante desgastados: a greve da Polícia Militar, em que os militares, comandado por Marco Prisco, ficararam acampados na Assembleia Legislativa por 12 dias deixando um rastro de insegurança em todo o Estado; e a greve dos professores da rede pública de ensino, que durou 115 dias e atingiu mais de 1,1 milhão de estudantes em todo o Estado. Esses dois acontecimentos deixaram a opinião pública bastante revoltada com a falta de sensibilidade e habilidade do governador Jaques Wagner e do seu partido (PT). Uma grande parte da população de Salvador votou em ACM Neto não por acreditar nas propostas e na competência do Democrata em administrar, e sim pela rejeição ao PT. Por conta das atrapalhadas e ingerências do PT, o “Carlismo” está mais vivo do que nunca, com um legítimo representante da família Magalhães, ACM Neto. Que realiza uma ótima administração frente à prefeitura, e que circula nos bastidores da política que pretende ser presidente da república. Agora, confirmada a vitória de Paulo Souto (DEM), sobre o fraquíssimo candidato Rui Costa (PT), o “Carlismo” estará mais vivo que nunca. E quem ocupará um lugar na sepultura da política baiana será o PT.

Jailson Trindade jaitrindade@hotmail.com
Jailson Trindade
jaitrindade@hotmail.com

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