Imagine o que representa para uma empresa que, diariamente, vê entrar em sua conta R$ 400 mil referentes a show, de repente, do dia pra noite, tudo para. Zera. Pois foi isso que aconteceu com a GR6, o maior escritório funk do Brasil, responsável pelas carreias de nomes como LivinhoG15Don JuanMirella, e muitos outros.

“São cerca de 150 artistas vendáveis”, conta Rodrigo Oliveira, de 33 anos, dono da empresa, que faz 600 shows por semana. “Alguns artistas chegam a fazer cinco shows em um dia”.

A GR6 é, de fato, uma gigante do funk. Além de gerenciar a carreira, eles montam as estruturas da maioria doa bailes de São Paulo. São 1.300 funcionários diretos que trabalham na sede da empresa, em Santana, na zona norte de São Paulo. Mas a suspensão dos shows já fez com que Rodrigo precisasse dispensar alguns.

“Foram cerca de 30 a 40. E espero parar por aí”, diz.

Mesmo sem previsão de retorno dos shows, o pernambucano que se mudou para São Paulo em 1995 e morava em um porão há dez anos, tem o alento do dinheiro que ganha graças à internet.

“O Youtube e as plataformas digitais é que estão nos mantendo neste momento”, conta.

Realmente, os funkeiros gerenciados por Rodrigo são um fenômeno na web. Só o canal do Youtube da GR6 tem 30 milhões de fiéis seguidores. E o faturamento no Spotify de artistas como Livinho gira em torno de R$ 200 mil por mês.

Sem ter noção exata de quando voltam os shows, Rodrigo diz ter certeza de que, quando tudo isso passar, encontrará artistas diferentes, mais conscientes do valor do dinheiro.

“Eles gastam muito, às vezes, por conta da origem simples, mas é tudo exagerado. Agora, tenho certeza que eles vão agir diferente com o dinheiro”, profetiza.

Mesmo 2020 já seja considerado como “um ano perdido”, Rodrigo espera manter a data do grande evento do escritório, o “Baile do poderoso”, marcado para dia 18 de outubro, no Anhembi. “No ano passado, reunimos 40 mil pessoas. Já tive que derrubar a edição de Salvador e de Recife. A de São Paulo, eu espero manter”, finaliza.

Compartilhar