As Gordinhas de Eliana Kertész comemoram 15 anos nesta quarta

No dia 18 de dezembro, no Palacete das Artes, será inaugurada a exposição "Fartura e Abundância", com a obra da artista

Por James Martins 

Nesta quarta-feira (4), as irmãs Damiana, Mariana e Catarina (uma negra, uma branca e a outra índia), comemoram 15 anos de vida. Talvez pelo nome não se reconheça o trio de debutantes, mas, basta dizer que hoje as Gordinhas de Ondina fazem 15 anos, que todo mundo sabe logo do que se trata. Sim, em 4 de dezembro de 2004, a artista plástica Eliana Kertész inaugurava sua obra mais conhecida: “As Meninas do Brasil”. Ou, simplesmente, as Gordinhas.

Fundidas em bronze, as esculturas têm, em média, três metros de altura e estão assentadas sobre base de concreto. Representação brasileira do mito grego das Três Graças (cárites), as gordinhas estão posicionadas de forma estratégica, conforme indicação da artista: Damiana olha para o oceano, em busca de sua África-mãe; Mariana visa Portugal, no Hemisfério Norte; enquanto Catarina contempla o continente americano.

Instaladas na gestão do prefeito Antônio Imbassahy, a obra já é parte orgânica da vida da cidade, servindo de ponto de referência para baianos e turistas. “Passa nas gordinhas, motô?”, é uma pergunta frequente. Tanto assim que alguns ônibus exibem “as gordinhas” em seu indicativo de itinerário (vide foto).

Eliana Kertész (1945—2017), que também foi vereadora de votação recorde e secretária de educação da capital, embora natural de Conceição da Feira, sempre valorizou a ligação com Salvador. Ao inaugurar “As Meninas do Brasil”, 15 anos atrás, ela sedimentava e eternizava de vez esse relacionamento amoroso, inserindo-se na própria topografia.

E como forma de celebrar o seu legado, estreia no próximo dia 18 (quarta), no Palacete das Artes (Graça), a exposição “Fartura e Abundância”, uma grande retrospectiva da obra de Eliana, sob curadoria de Gringo Cardia. A mostra reúne, além de originais da artista, cadernos, rascunhos, depoimentos, fotografias e ainda réplicas gigantes que poderão ser manipuladas e fotografadas pelos visitantes.

A interação, marca da atuação da artista, ou melhor, da mulher, em todos os aspectos, vai além das meras fotografias. “Nos finais de semana será montado um pavilhão de artes para as crianças manusearem a argila e terem suas esculturas cozidas no forno industrial do museu, e logo após pintá-las”, explica Gringo. Tudo dentro do espírito dela que sempre gostou de ver a casa cheia, a mesa farta, as crianças felizes.

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