CPAC Brasil: Sob gritos de ‘mitinho’, Eduardo Bolsonaro repete gesto de Trump e convoca conservadores

Desde a chegada do filho do presidente Jair Bolsonaro ao hotel Transamérica, na zona sul de São Paulo, o deputado foi ovacionado pela plateia todas as vezes que subiu ao palco, aos gritos de "mito" e "mitinho", em referência ao apelido do pai.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi a grande estrela da primeira noite do CPAC Brasil, inédita versão brasileira do Conservative Political Action Conference (CPAC), maior e mais tradicional evento conservador dos Estados Unidos.

Desde a chegada do filho do presidente Jair Bolsonaro ao hotel Transamérica, na zona sul de São Paulo, o deputado foi ovacionado pela plateia todas as vezes que subiu ao palco, aos gritos de “mito” e “mitinho”, em referência ao apelido do pai.

Aos 35 anos e nome escolhido pelo presidente para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, o filho 03 do presidente foi o principal articulador para a vinda do evento ao Brasil, e que contou com a presença do próprio Matt Schlapp, presidente da American Conservative Union e responsável pelo evento nos EUA, além de presença constante como comentarista político no canal Fox News.

“Sejam bem-vindos ao maior evento conservador do mundo, que resgata e privilegia os valores da família e dos bons costumes”, anunciou a apresentadora, explicando que o evento existe há 46 anos, desde a época em que Ronald Reagan, ex-presidente republicano dos EUA, era o principal discursante. Fora dos EUA, o evento já ocorreu em países como Austrália, Japão e Coreia.

“Aqui, para mim, é como jogar no Maracanã”, disse um entusiasmado Eduardo Bolsonaro ao abrir o evento, que acontece nesta sexta e sábado na capital paulista.

“Talvez seja o momento mais importante da minha vida pública”, afirmou, relembrando a uma plateia de militantes fervorosos os pequenos eventos conservadores dos quais ele já participou em cidades como São José do Rio Preto e Rio Claro.

“Quem diria há 15 anos que traríamos o maior evento conservador do mundo para o Brasil?”.

A relação de Eduardo e Schlapp começou nos corredores da Blair House, prédio reservado a visitantes da Casa Branca, segundo o deputado. Ele definiu a amizade entre os dois como uma “química” que evoluiu para namoro e atualmente está em fase de casamento.

O esforço por uma direita mais conectada internacionalmente marcou o tom da primeira noite do evento.

“A esquerda é muito melhor organizada que nós, conservadores. E ela se organiza em nível global. Muitas vezes o que sai na Folha de São Paulo sai no Le Monde, na França, sai no The Guardian, na Inglaterra, sai no New York Times, nos EUA. Enquanto aqui no Brasil, não temos essa estrutura toda”, diz.

Schlapp, segunda fala da noite depois do vice-presidente do PSL, Antônio de Rueda, também destacou a importância da conexão internacional para o avanço da direita.

“Vemos o que vocês estão fazendo no Brasil e achamos fantástico”, disse à plateia, que gritou o nome do presidente dos EUA, Donald Trump, em muitos momentos do seu discurso do americano.

Schlapp também enfatizou que não vê riscos de Trump deixar o cargo.

“Na América, o impeachment só serve para presidentes que cometem crimes! E não há crimes!”, gritou.

“O que vocês estão fazendo no Brasil nos dá esperança. O que fazemos nos EUA, esperamos, lhes dá esperança”.

Em homenagem a Trump, Eduardo repetiu um gesto que o presidente americano fez em seu discurso na CPAC deste ano, abraçando a bandeira dos Estados Unidos. Na versão nacional, Eduardo abraçou a bandeira do Brasil, sem citar a referência a Trump: “Adivinhem quem eu estou homenageando?”

Não discuta, faça memes
Na fala que durou cerca de meia hora, Eduardo também deu recomendações práticas para a militância. Citando como exemplo suas próprias atitudes em discussões na internet, ele orientou que os apoiadores façam memes sobre os oponentes em vez de entrar em discussões políticas acaloradas a sério.

O deputado mostrou capturas de tela de uma discussão que teve esta semana com o jornalista da Globo Guga Chacra, que escreveu no Twitter creditando a Felipe Martins, assessor especial da Presidência, a função de “mandar na política externa do Brasil”. Na ocasião, Eduardo Bolsonaro rebateu dizendo que o jornalista buscava emprego em revistas de fofoca, afirmação que ele repetiu em tom jocoso durante o evento. Já Chacra rebateu dizendo não “estar atrás de emprego”, já que tem três como jornalista trabalhando nos EUA.

“Se a pessoa ‘se sentiu’? Faça memes, como eu fiz”, orientou, sendo novamente ovacionado com gritos de torcida emocionados como “eu sou conservador”, e “ão-ão-ão – Olavo tem razão”.

Bolsonaro também marcou a ideia de que o objetivo do CPAC não é ser um “foro de São Paulo, que tem a intenção de chegar ao poder”, em referência ao evento de esquerda que é famigerado entre bolsonaristas e olavistas. “A nossa sede não é de poder, mas de saber quem somos, de nos organizar, Se elegermos alguém, será consequência”.

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