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O governador eleito, Rui Costa, apresentou ontem (16) o novo secretariado executivo que estará atuando em sua gestão. Entre as escolhas, velhos conhecidos do povo baiano marcam presença nas listas de reprovação da população, como por exemplo a situação da segurança pública no estado, o atual e já escolhido responsável pela pasta da segurança na administração Costa, Mauricio Barbosa, que desde de 2011 tenta sem sucesso reduzir os índices de criminalidade. Mesmo com novos investimentos a Bahia mantém uma triste realidade nos índices de segurança, estado em que, entre 2002 e 2012, o crescimento de assassinatos foi de 242%. A situação baiana é ainda pior quando analisados os municípios com mais de 10 mil habitantes mais violentos do país. Em 2012, figuraram no ranking das dez cidades brasileiras mais violentas nada menos que cinco do estado da Bahia, com Mata de São João, Simões Filho, Ibirapitanga, Itaparica e Porto Seguro. Barbosa mantém pouco contato com a imprensa, raramente dá entrevistas, e segundo profissionais de comunicação, se mantém afastado da maioria dos programas de rádio com a participação popular, e escolhe pouquíssimos veículos para se manifestar. Outro grave problema que eleva drasticamente a rejeição do povo baiano com a segurança no estado, são os constantes casos envolvendo a morte de jovens negros.

Segundo informações repassadas pela Anistia Internacional, que vai denunciar à Organização das Nações Unidas (ONU) a morte e o sumiço de jovens na Bahia. A entidade foi procurada nessa quinta-feira (4) por um grupo de pais que tiveram os filhos mortos ou sequestrados, com relatos de participação policial e de imobilismo nos inquéritos que, em muitos casos, permanecem inconclusivos.

O assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Alexandre Ciconello, ouviu o relato de cinco mães e um pai desses jovens, que ainda aguardam uma resposta mais clara do Estado.

“Nós continuamos a ver jovens negros sendo assassinados, sequestrados ou desaparecidos, sem nenhum tipo de justiça para esses parentes. Há o caso do Davi Fiuza, que desapareceu há 40 dias, depois de uma abordagem da polícia, na qual há testemunhas de que ele foi sequestrado e colocado amarrado em um carro. Outras mães aqui tiveram os filhos assassinados ou desaparecidos, sem nenhum tipo de resposta efetiva do Estado”, disse

Ciconello disse que há uma dificuldade institucional do governo da Bahia em dar uma resposta sobre o assunto. “Não são casos isolados, há uma dificuldade da corporação, da Secretaria de Segurança Pública, em agir nesses casos, principalmente quando há envolvimento de policiais. Temos muitos relatos de grupos de extermínio. Os mecanismos de controle da atividade policial na Bahia são muito frágeis. A corregedoria acabou de arquivar o caso do Davi, com testemunhas dizendo que ele foi abordado pela Polícia Militar. É preciso haver mudanças estruturais nas duas polícias.”

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