Irmão do ex-goleiro Bruno diz onde estariam restos mortais de Samudio

A Polícia Civil do Piauí colheu depoimento de Rodrigo Fernandes das Dores de Sousa, 27, irmão do ex-goleiro Bruno Fernandes, em que ele indica o local onde estariam os restos mortais de Eliza Samudio, morta em 2010. A informação foi confirmada ao UOL nesta segunda-feira (4) pela Polícia Civil do Estado.

bruno

No depoimento, realizado por meio de carta precatória pelo delegado Elídio Duarte, chefe da Delegacia de Polícia Interestadual do Piauí, Sousa teria indicado que os restos mortais da ex-amante de Bruno estariam em uma cidade do interior de Minas Gerais. A assessoria de imprensa da polícia não soube informar qual foi o dia do depoimento, que ainda será enviado para averiguação.

O irmão de Bruno também é suspeito de crimes no Piauí. Em setembro do ano passado, foi preso por suspeita de estuprar uma adolescente em Teresina. Outros estupros também são atribuídos a ele, que está detido em Teresina à espera de julgamento.

O delegado-geral da Polícia Civil, Ridel Batista, disse que o pedido de depoimento foi feito pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que ainda investiga o caso. “Foi um depoimento solicitado pela polícia do Rio em que pegamos alguns fatos da investigação do desaparecimento da Eliza”, resumiu Batista, dizendo que não poderia passar mais detalhes sobre o caso, como detalhar a cidade onde estariam os restos mortais.

Em junho passado, o ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza se casou com a dentista Ingrid Calheiros em cerimônia realizada nas dependências da Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Eles se conheceram durante o processo sobre o caso.

Bruno e seu amigo e braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foram condenados em 2013 a 22 anos e 15 anos de prisão, respectivamente, pela morte de Eliza. Segundo o TJ (Tribunal de Justiça) de Minas Gerais, além de Bruno, outro preso se casou no mesmo dia no local, mas não há imagens de nenhum dos atos.

PENA AUMENTADA

Em outubro do ano passado, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) aumentou a pena de Bruno pelos crimes de sequestro, lesão corporal e constrangimento ilegal de Eliza.

Após recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro, o STJ decidiu que, para esses crimes, Bruno deveria cumprir dois anos e três meses de prisão, e não um ano e nove meses, como decidido anteriormente. Macarrão também teve a pena por sequestro reformada de um ano e dois meses para um ano e quatro meses.

ENTENDA O CASO

O goleiro Bruno Fernandes conheceu Eliza Samudio durante um churrasco no Rio de Janeiro em maio de 2009. Meses depois, Eliza ficou grávida de Bruno Samudio. Segundo a Promotoria, ao tomar conhecimento da gestação, o goleiro “propôs um acordo financeiro” para que Eliza abortasse o feto.

Com a recusa, o goleiro Bruno passou a arcar com algumas despesas de Eliza e, em julho de 2009, ele a ameaçou de morte durante um encontro em um hotel no Rio de Janeiro. Um mês depois, eles se encontraram novamente no Rio e Bruno a agrediu fisicamente –puxando-a pelos cabelos.

Em outubro de 2009, Bruno se encontrou com Eliza e a agrediu com dois tapas no rosto dentro carro. Além de Bruno, Macarrão e um outro indivíduo não identificado entraram no veículo. Segundo a Promotoria, Bruno estava armado e a manteve prisioneira durante algumas horas. Ao deixá-la em casa, na Barra da Tijuca, Bruno a obrigou a ingerir comprimidos e um líquido desconhecido.

Eliza ficou cerca de 12 horas dopada e, quando acordou, registrou o caso na delegacia. Após o episódio, Eliza mudou-se para a casa de uma amiga em São Paulo. Em fevereiro de 2010, Eliza deu à luz Bruno Samudio e voltou a entrar em contato com o goleiro para que ele reconhecesse a paternidade de Bruno e pagasse uma pensão. Na época, Bruno era jogador do Flamengo, um dos principais clubes de futebol do país.

Em maio de 2010, Eliza foi convidada por Bruno para ir até o Rio para que eles conversassem sobre a realização do teste de DNA e sobre o pagamento de pensão alimentícia. Na ocasião, o goleiro também havia prometido dar um imóvel em Belo Horizonte (MG) a Eliza.

Eliza e o filho foram para o Rio e, em junho de 2010, foram sequestrados por Macarrão e pelo adolescente Jorge Luiz Lisboa Rosa (que estava escondido no bagageiro carro). Segundo investigações, o crime ocorreu a mando do goleiro Bruno, após acordo com Zezé e Bola. Macarrão e Rosa foram os responsáveis por buscar Eliza no hotel e levá-la ao encontro de Bruno, na Barra da Tijuca.

Durante o trajeto, Rosa deixou o porta-malas e apontou uma arma para Eliza: “Você perdeu, Eliza”. Ao chegar a casa de Bruno, sua amante Fernanda Gomes de Castro auxiliou Macarrão e Rosa a manter as vítimas no cativeiro. Dayane também ajudou a vigiar Eliza no cativeiro até a sua morte no dia 10 de junho de 2010. O corpo dela nunca foi encontrado.

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