A Polícia Civil prendeu na manhã desta terça-feira (29) o ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Leonel Julio, e o presidente da Univesp (União dos Vereadores do Estado de São Paulo), Sebastião Misiara.

LEONEL JULIO
Leonel Júlio, durante homenagem a ex-presidentes da Assembleia Legislativa de São Paulo

Ambos são acusados de ligação com a máfia da merenda em São Paulo. Os mandados de prisão temporária foram expedidos pela Justiça de Bebedouro, no interior paulista.

As prisões fazem parte da 2ª fase da Operação Alba Branca, que investiga pagamento de propina em contratos superfaturados de merenda escolar com o governo do Estado e ao menos 22 prefeituras. A Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar) é apontada como a responsável pelo esquema.

Ao todo foram cumpridos 17 mandados nas cidades de Bebedouro, Barretos, Severinia, Campinas e São Paulo, sendo dez de busca e apreensão e sete de prisão temporária.

O atual presidente da Assembleia paulista, Fernando Capez (PSDB), foi citado como destinatário de propina por ex-dirigentes da Coaf. O deputado nega o envolvimento com o esquema.

A Justiça também mandou prender Carlos Eduardo da Silva, Aluísio Girardia, Emerson Girardi, Luiz Carlos da Silva Santos e Joaquim Geraldo.

Leonel Julio, do antigo MDB, presidiu a Assembleia de São Paulo entre 1975 e 1976, durante o regime militar, mas teve seu mandato cassado e perdeu seus direitos políticos por dez anos após se envolver em um escândalo.

Ele é pai de Marcel Ferreira Julio, apontado como lobista do esquema e o elo da Coaf com a Assembleia e o governo de São Paulo. Marcel está foragido desde 19 de janeiro.

A OPERAÇÃO

A primeira fase da Operação Alba Branca foi deflagrada em 19 de janeiro, em uma ação conjunta da Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo. Dirigentes da Coaf apontaram, além de Capez, os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB) e o deputado estadual Luiz Carlos Godim (SD) como beneficiários do esquema. Todos negam.

De acordo com as investigações, o esquema era alimentado por um sobrepreço que variava de 10% a 30% de cada contrato de fornecimento de suco de laranja para a merenda escolar.

O caso também lança suspeita sobre a Casa Civil, núcleo da articulação política do governo Geraldo Alckmin (PSDB), e secretaria de Educação de São Paulo.

Um grampo da Polícia Civil, feito em 4 de dezembro, dia da demissão do ex-secretário de Educação, Herman Voorwald, revela que integrantes do esquema que fraudava merenda escolar em São Paulo ficaram preocupados com as mudanças na pasta.

Eles foram avisados da queda de Voorwald pelo ex-chefe de gabinete da Casa Civil, Luiz Roberto dos Santos, o Moita, que também os instruiu sobre como aumentar os ganhos em um contrato vigente com o Estado desde março.

Tal contrato, segundo confessaram dirigentes da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar) à polícia e ao Ministério Público, já havia rendido propina de 10% a políticos. Pelos depoimentos, um dos beneficiados foi o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez (PSDB).

Feitas com autorização judicial, as interceptações, segundo o entendimento da polícia, revelam que a preocupação do grupo era agir rápido, diante da possibilidade de o chefe de gabinete de Voorwald, Fernando Padula, também sair da pasta.

OUTRO LADO

O presidente da Uvesp, Sebastião Misiara, foi vereador em Barretos por 25 anos pelo PFL (atual DEM) e, hoje, não é filiado a nenhum partido. Procurada, sua advogada, Cláudia Seixas, afirmou que ele “foi pego de surpresa” nesta manhã porque já havia se colocado à disposição da Justiça para prestar depoimento.

A sede da Uvesp, em São Paulo, também foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta manhã.

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