Empresas crescem ao oferecer solução para detectar e combater dengue e zika

marcos oliveira neoprospecta
O empresário Marcos Oliveira, criador da Neoprospecta, que analisa DNA para identificar contaminação

O medo da epidemia de dengue, vírus da zika e chikungunya tem impulsionado a procura por empresas que trabalham com detecção, prevenção oucombate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor dessas doenças.

A Fumajet, do Rio de Janeiro, prevê crescer 200% neste ano com seus produtos voltados para a pulverização de larvicidas para conter a proliferação dos mosquitos.

O diferencial da companhia, fundada em 2009 por Marcius Costa, 37, é o fato de o sistema que espalha o produto ser acoplado a motocicletas, em vez do método tradicional com carros, facilitando o acesso a vielas, ruas estreitas e áreas de favelas.

O chamado “motofog”, como foi nomeada a criação de Costa, foi contratado pela Companhia Docas, do governo do Estado do Rio de Janeiro, que administra os portos de Rio, Angra dos Reis, Niterói e Itaguaí, e pelo projeto Porto Maravilha, que trabalha na revitalização da zona portuária carioca.

“O que percebemos é que a Fumajet deve ter uma demanda diferente da sazonalidade nos próximos anos”, afirma o empresário.

“Tradicionalmente, temos mais trabalho no verão, mas, devido às epidemias, devemos crescer também nas demais épocas do ano”, diz Costa, que não revela o seu faturamento.

Crescimento de 200% também é a previsão da Neoprospecta, criada em 2013 em Florianópolis (SC).

O sistema desenvolvido pela empresa usa análise de sequenciamento de DNA para testar pacientes sob suspeita de terem sido infectados pelos vírus dasdoenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Segundo Marcos Oliveira, diretor da companhia, a técnica permite dobrar o número de amostras analisadas em comparação ao método utilizado, por exemplo, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com placas de Petri.

O convênio hospitalar Santa Helena Saúde, de São Bernardo do Campo (SP), fechou contrato com a Neoprospecta para que todas as clientes gestantes do plano sejam submetidas aos testes para detecção das viroses.

“Nosso crescimento poderia ser até maior se o dólar não estivesse tão sobrevalorizado no momento”, afirma o empresário, que precisa importar parte dos materiais usados no teste.

Já a Epitrack, criada em 2014, em Recife (PE), investe no aplicativo Guardiões da Saúde, que detecta e prevê riscos de epidemias por meio de colaboração de usuários que informam, via smartphone, sintomas que estejam sentindo.

“Por meio da compilação desses dados, podemos verificar se uma região está apresentando alta incidência de um mesmo sintoma, a quantidade de usuários que o relatou e se há configuração de uma epidemia”, afirma Onicio Leal, um dos fundadores do negócio.

O projeto acaba de se classificar para a final mundial do concurso internacional The Venture, que vai distribuir US$ 1 milhão (cerca de R$ 4 milhões) para empresas com ideias inovadoras, em Nova York (EUA), no primeiro semestre deste ano.

A Epitrack espera faturar R$ 4,6 milhões em 2016 -o dobro do registrado em 2015, segundo a empresa.

NA HORA CERTA

Para Sérgio Risola, membro da diretoria da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), a velocidade é crucial para quem quer transformar ideias inovadoras em negócios com grande potencial.

“Não adianta apenas ter uma boa ideia. Uma empresa que queira crescer, seja na área de saúde ou em outros nichos, precisa levar logo seu produto ao mercado para ser mais competitiva”, afirma o especialista.

Segundo Risola, a maneira mais rápida de acelerar a criação do negócio a partir de um conceito é a incubação.

O medo da epidemia de dengue, vírus da zika e chikungunya tem impulsionado a procura por empresas que trabalham com detecção, prevenção ou combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor dessas doenças.

“O ‘pulo do gato’ da Fumajet foi a incubação na Faperj [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro]”, conta o fundador, Marcius Costa. “Antes disso, eu procurava financiadores, mas eles não me enxergavam como empresa, apenas como alguém com uma boa ideia.”

As incubadoras são organizações geridas por entidades públicas ou privadas, muitas vezes ligadas a universidades, que oferecem suporte técnico, gerencial e formação complementar ao empreendedor.

Foi na entidade mantida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul que o projeto de Marcos Carvalho de testes de DNA para detectar vírus virou um negócio. “Nós não sabíamos nada da parte empresarial. Foi na incubadora que conseguimos formalizar e estruturar a Neoprospecta”, afirma.

Juliano Seabra, diretor-geral da Endeavor, organização de fomento ao empreendedorismo, diz que a incubação pode ajudar novatos com a parte burocrática de iniciar um negócio, mas avisa que não pode ser vista como um projeto de longo prazo.

“Não podem ser muletas. Dois a três anos é o período ideal para uma empresa ficar incubada”, afirma.

Para quem está interessado em participar de um período de incubação, Seabra recomenda ficar atento aos editais das organizações e procurar por entidades da área, como a Anprotec.

DA IDEIA AO NEGÓCIO

Confira cuidados para aproveitar o melhor da incubação.

PESQUISA

Há incubadoras diferentes para cada tipo de empresa. Pesquise qual instituição tem perfil mais adequado para a área de atuação da sua futura empresa. Procure saber sobre o histórico da entidade, pesquise projetos de negócios que já passaram por ela e em que estágio de crescimento estão agora

TEMPO

As incubadoras devem ser encaradas como processos de curto prazo para iniciar o projeto, e não como uma consultoria de negócios. O tempo de permanência não deve ultrapassar três anos

DEDICAÇÃO

A incubadora auxilia o empresário a formalizar o negócio, mas não responde pelo crescimento da companhia. Durante o processo, é importante que o empreendedor destine tempo para desenvolver todos os aspectos do seu projeto e faça planos também para o médio e longo prazo da companhia

TRANQUILIDADE

A incubadoras auxiliam com os trâmites burocráticos e jurídicos -desafiadores para os novatos. Aproveite a ajuda com essas questões para concentrar esforços na parte criativa do negócio

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