Texto e foto: Ascom Codesal
A Defesa Civil de Salvador (Codesal), em parceria com a Prefeitura de Salvador, iniciou um projeto-piloto para monitorar a erosão costeira em quatro praias da Barra. A iniciativa combina análises de imagens de satélite e levantamentos topográficos de alta precisão para identificar alterações na faixa de areia e produzir informações técnicas que auxiliem o planejamento e a conservação da orla. A Prefeitura já adquiriu os equipamentos necessários para a realização dos levantamentos.
A escolha dos trechos considerou um estudo preliminar que identificou mudanças na linha de costa ao longo das últimas décadas, além das características geomorfológicas das praias e da importância da região para o turismo, a dinâmica urbana e o uso público. As visitas de campo estão previstas para ocorrer ao longo do segundo semestre deste ano e de 2027.
Para o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, a iniciativa fortalece o planejamento preventivo e amplia o conhecimento sobre as condições do litoral soteropolitano. “Precisamos compreender melhor as transformações que ocorrem nas nossas praias para orientar decisões e planejar medidas de proteção. Esse trabalho nos permite garantir a segurança da população, a preservação da orla, a manutenção da frequência dos turistas e a preservação dos equipamentos públicos”, afirma.
Tecnologia e metodologia adotadas – Os levantamentos utilizam a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite que, com correções em tempo real, permite obter coordenadas com precisão centimétrica. O recurso possibilita mapear o relevo das praias em detalhes e comparar as medições realizadas em diferentes períodos. A previsão é realizar levantamentos periódicos, preferencialmente mensais, com campanhas adicionais após eventos climáticos extremos.
De acordo com Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec) e oceanógrafo, a metodologia ajuda a compreender a dinâmica natural desses ambientes. “As praias estão em constante transformação pela ação das ondas, das correntes e do transporte de sedimentos. Com medições precisas e comparações ao longo do tempo, podemos identificar melhor os trechos que apresentam sinais de erosão e compreender como essas mudanças evoluem”, explica.
Os dados serão organizados em programas de Sistemas de Informação Geográfica (GIS), como o QGIS, e integrados a imagens de satélite e técnicas de reconstrução batimétrica, ampliando a análise da morfologia costeira, inclusive em áreas com afloramentos rochosos. As informações ainda estão em fase de coleta e análise, e a divulgação dos resultados será realizada posteriormente, sem data definida.
Prevenção e planejamento – Os primeiros resultados poderão ser obtidos após as medições iniciais. No entanto, a formação de uma série histórica consistente exige pelo menos um ano de acompanhamento, período necessário para observar as variações sazonais e compreender melhor o comportamento das praias em diferentes épocas do ano.
As informações poderão subsidiar medidas preventivas, orientar o planejamento urbano e ambiental e contribuir para a proteção da infraestrutura costeira. A proposta é ampliar gradualmente o trabalho para outras praias da capital, conforme os resultados do projeto-piloto e o planejamento das próximas etapas. Nesta fase, a execução está sob responsabilidade da Codesal. O órgão também mantém contato frequente com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para avaliar possibilidades de colaboração.
Mudanças climáticas e possíveis intervenções – O trabalho também considera os desafios associados às mudanças climáticas, como a elevação do nível do mar e possíveis alterações nas condições das ondas e na ocorrência de eventos extremos. O conhecimento sobre a evolução da linha de costa poderá ajudar a identificar áreas que demandem maior atenção, especialmente após ressacas.
A iniciativa não contempla, neste momento, intervenções físicas nas praias. A alimentação artificial, por exemplo, consiste na reposição de areia em trechos afetados pela erosão, mas sua adoção depende de estudos sobre a dinâmica dos sedimentos, a compatibilidade do material e os impactos ambientais. Também é necessário avaliar possíveis efeitos sobre as praias vizinhas.
“Conhecer a realidade de cada trecho da nossa orla é essencial para definir prioridades e planejar ações responsáveis. Estamos investindo em conhecimento técnico para que Salvador se torne uma cidade cada vez mais resiliente e preparada para enfrentar as mudanças climáticas e os desafios costeiros, mantendo as praias preservadas”, ressalta Adriano Silveira.
A participação da população soteropolitana também é fundamental. Entre as recomendações estão evitar o descarte de resíduos nas praias, respeitar a vegetação de restinga e as áreas naturais costeiras e comunicar às autoridades situações como erosão acentuada ou danos em estruturas próximas ao mar.
“Com esse acompanhamento, vamos conseguir enxergar melhor esses processos e ter uma base técnica para orientar as decisões. É um trabalho que exige constância, porque uma praia não se analisa só com uma medição isolada, mas com o conjunto de informações coletadas ao longo dos meses. E isso vai ajudar não só a Codesal, mas toda a cidade a se preparar melhor para os desafios que estão por vir”, conclui Larissa Rayanny, oceanógrafa da Codesal.