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Professoras trabalham fortalecimento da autoestima de crianças negras e valorização da cultura nordestina a partir de livros autorais

Fotos: Divulgação

Texto: Priscila Machado/ Secom PMS

Para além da construção de um legado educacional, Djanira Rainha, 52 anos, e Jacqueline Meire, 46, que já ensinam há mais de duas décadas e atualmente dão aula na rede municipal de ensino, trabalham três aspectos importantes para o público infantil: o fortalecimento da autoestima, a valorização da cultura nordestina e da cultura afro-brasileira.

Djanira Rainha dá aula na Escola Municipal Alto de Coutos e está à frente da Biblioteca Social Afro-Indígena Meninas do Subúrbio, idealizada por ela para fomentar nos alunos o amor pelos livros e pela literatura.

Nos momentos em que realiza a contação de história do livro autoral “Este Cabelo é Meu”, a sala de aula se transforma em um espaço lúdico que mistura sons, bonecos e leitura teatralizada.

Existe um diálogo feito com as crianças com o objetivo de levar representatividade para o universo da literatura. Durante a contação, as crianças são convidadas a conhecer as características dos próprios cabelos e a refletir sobre identidade, representatividade e respeito às diferenças.

“Eu trabalho com a temática do meu livro tanto na sala de aula como em outras escolas. Faço oficinas de estética negra para valorizar a estética das crianças negras, as meninas de cabelo crespo, numa perspectiva de valorização do povo negro”, conta.

Para a professora, autora de quatro livros e coautora de uma quinta obra de poemas sobre a valorização do Subúrbio Ferroviário e da estética negra, escrever é possibilitar que a imaginação dela possa chegar às outras pessoas e, ao mesmo tempo, fomentar nas crianças a vontade de tornarem-se pessoas melhores. 

“Enquanto eu escrevo, reflito sobre as minhas próprias ações e tenho a possibilidade de fazer com que os alunos reflitam sobre as suas. Então, eu continuo sendo professora enquanto escrevo os temas que me preocupam como ser humano, como mulher negra e suburbana.”

Djanira destaca também como uma das maiores alegrias proporcionadas pelo ofício de ensinar é poder rever os alunos e ouvir os relatos que muitos deles fazem.

“Me deixa muito feliz poder encontrar com os meus alunos e alunas, que eu ensinei há 32 anos ou menos, e essas pessoas se lembrarem de mim sempre com um texto ou algo de substancial que eu lhes transmiti nesses anos de profissão, dizendo: ‘eu aprendi isso com a senhora, pró’. Isso para mim é muito emocionante.”

Cultura nordestina – Na escola onde ensina, na Cidade Baixa, e em outros espaços educativos em que é convidada, Jacqueline Meire, 46 anos, também realiza um trabalho muito parecido com o de Djanira.

A partir dos seus livros, a professora trabalha a valorização da cultura nordestina, do trabalhador informal e da cultura afro-brasileira em atividades de contação de história. 

Com o livro “Luiz Rei”, lançado em 2023, a docente apresenta parte da trajetória de Luiz Gonzaga, cantor e compositor pernambucano responsável por difundir o xote, o xaxado e o baião para todo o país, valorizando os ritmos nordestinos.

Durante o trabalho de contação de história, Jacqueline se caracteriza de Luiz Gonzaga, com o chapéu de couro de aba virada, triângulo e um bonequinho em alusão ao músico. 

A obra traz diversas referências ao Nordeste: o mapa da região, o clima, a vegetação típica, a exemplo do umbuzeiro, do cajueiro e do mandacaru, além de outros elementos culturais. Na última página, uma sanfona tridimensional chama a atenção dos leitores mirins, que são convidados também a tocar uma sanfona imaginária durante a contação. 

A leitura da história ocorre em constante diálogo, trabalhando o imaginário de meninos e meninas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Além de Luiz Rei, ela também lançou ‘Pão, Chão, Coração’ pela editora Arpillera e, este ano, junto com o Coletivo de Escritores (as) e Pesquisadores (as) da Liga do Dendê, lançou um conto no livro Contos para Ibejada.

Na avaliação de Jacqueline, escrever possibilita registrar afetos, inquietações, divagações, belezas e tristezas. “A escrita é arte. Isso significa que é mais amplo do que o nosso imediatismo possa dar conta. A escrita conecta passado, presente e conversa com o futuro. Escrever é ter asas e solo ao mesmo tempo, é energia e potência.”

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