Foto: Igor Santos / Secom PMS
Reportagem: Mateus Soares / Secom PMS
Voltado à redução das desigualdades sociais em Salvador, o programa Vida Nova, desenvolvido pela Prefeitura, realiza a busca ativa de famílias em situação de extrema vulnerabilidade e as acompanha através de visitas domiciliares, promovendo o encaminhamento para serviços públicos e benefícios socioassistenciais.
Na região do Vale dos Lagos, uma das famílias acompanhadas pelo programa é a de Otto Gutierre, que relata dificuldades após deixar o sistema prisional. Segundo ele, a falta de oportunidades de trabalho e de uma renda fixa marcou o período inicial após a saída do cárcere. “Quando cheguei aqui fora, tive dificuldade para arrumar serviço. Ficava sem uma renda certa, uma coisa segura”, conta.
Otto vivia com a mãe e afirma que a situação começou a melhorar após o contato com a equipe do Vida Nova. Entre os benefícios apontados por ele como fundamentais, está o acesso ao Bolsa Família. “Trouxe uma renda; eu estava sem nenhuma no momento. Pelo menos deu uma segurança de ter aquela renda todo mês”, diz.
Além do auxílio financeiro, o morador do Vale dos Lagos afirma que o acompanhamento pelo programa também ampliou suas perspectivas de futuro. Ele pretende realizar um curso na área de logística, setor no qual já trabalhou anteriormente.
Apesar da melhora na condição financeira, Otto diz ainda enfrentar dificuldades relacionadas ao preconceito por ter cumprido pena no sistema prisional. “Às vezes dão oportunidade, mas você sente que ficam observando”, conta.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), o programa Vida Nova já soma 254.283 visitas domiciliares realizadas nas áreas de abrangência dos 28 Centros de Referência de Assistência Social (Cras) da capital baiana.
Visitas – Agente de desenvolvimento social do programa, Lucas Oliveira da Silva explica que o Vida Nova realiza cruzamento de dados do Cadastro Único (CadÚnico) para identificar famílias em maior estado de vulnerabilidade social. A partir disso, são feitas visitas domiciliares e acompanhamento contínuo, que pode durar cerca de dois anos.
“Nesse período, a gente acompanha a família para resolver problemas relacionados à habitação, saúde, educação, empregabilidade, segurança alimentar e assistência social. Muitas vezes, a família não sabe os meios de acessar os serviços, então a gente vai até a casa para também entregar esse serviço”, afirma.
Segundo o agente, as situações mais recorrentes encontradas durante as visitas envolvem insegurança alimentar e precariedade habitacional. “Muitas pessoas não têm o que comer no dia. Outras não têm porta em casa ou até mesmo um copo para servir água”, exemplifica.
O crescimento das ações do Vida Nova tem ocorrido gradativamente desde a criação do programa, em novembro de 2024. De acordo com a Sempre, foram registradas 65.036 visitas em 2024, 143.389 em 2025 e 46.211 nos primeiros meses de 2026.
A principal atribuição dos agentes de desenvolvimento social Vida Nova (ADSs) é realizar a atualização e o cadastramento das famílias no CadÚnico, além de identificar demandas relacionadas à matrícula escolar, saúde, moradia, empregabilidade e geração de renda.
“São mais de 300 agentes atuando na cidade, realizando busca ativa e acompanhamento de famílias em situação de extrema vulnerabilidade. O trabalho tem como foco inicial as visitas domiciliares e o cumprimento das diretrizes do Cadastro Único, mas também contempla uma atuação multidisciplinar junto às famílias”, pontua o titular da Sempre, Júnior Magalhães.
De acordo com o secretário, o programa reúne 25 ações integradas de assistência social voltadas às pessoas em extrema pobreza. “A iniciativa fortalece o enfrentamento de problemas sociais históricos de Salvador, atuando diretamente em questões relacionadas à renda, moradia, educação e acesso a serviços públicos”, completa Júnior Magalhães.
Atualmente, cada agente acompanha, em média, entre 10 e 15 famílias. A Prefeitura encaminhou recentemente à Câmara Municipal de Salvador o Projeto de Lei nº 153/2026, que propõe tornar o programa Vida Nova uma política pública permanente.
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