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Reportagem: Vivian Pinho / Secom PMS
A cantora e compositora Larissa Luz apresenta, nesta quinta-feira (26), o show “Rock in Gil”, em homenagem a Gilberto Gil, no Pátio do Espaço Cultural da Barroquinha, a partir das 19h. O evento gratuito faz parte do Movimento Boca de Brasa, que celebra o aniversário de Salvador, que fará 477 anos no domingo (29), e os 40 anos da Fundação Gregório de Mattos.
Soteropolitana, assim como Gil, Larissa contou que fazer esse show na capital baiana tem um significado especial, por ser o lugar onde estão suas raízes e que carrega uma forte carga de ancestralidade, memória e pertencimento. “Fazer esse show em Salvador muda tudo, porque não é só uma cidade no roteiro [da turnê], é o lugar onde esse pensamento nasceu: meu e de Gil. Eu estou em casa, mas isso não simplifica, pelo contrário. O cenário puxa outro nível de entrega, e isso também aumenta a responsabilidade”, disse.
A turnê do “Rock In Gil” se apresentou há 15 dias em São Paulo, no Memorial da América Latina. Larissa chega a Salvador num momento especial: na semana passada, ela ganhou o Prêmio Shell de Teatro como melhor atriz, pela atuação na peça Torto Arado.
A programação do Movimento Boca de Brasa também contará com shows da banda ÀTTØØXXÁ, na sexta-feira (27), a partir das 20h30; e da cantora Duquesa, que se apresenta no sábado (28), a partir das 21h. As apresentações acontecem no Pátio Iyá Nassô, na Barroquinha (Quarteirão das Artes), com entrada gratuita.
Confira a entrevista completa com Larissa Luz sobre o show gratuito:
O que significa para você homenagear Gilberto Gil em Salvador?
Fazer esse show em Salvador muda tudo, porque não é só uma cidade no roteiro [da turnê], é o lugar onde esse pensamento nasceu: meu e de Gil. Existe um DNA ali que se manifesta no jeito de ouvir, de reagir, de ocupar o som. Salvador carrega uma carga ancestral muito concreta. Existe intimidade, memória, pertencimento. Isso altera completamente o jogo. Eu estou em casa, mas isso não simplifica. O cenário instiga, provoca, puxa outro nível de entrega. Isso torna tudo mais especial, mas também aumenta a responsabilidade. Porque não dá para chegar com qualquer leitura. É um território onde essas músicas já têm vida própria.
Gilberto Gil influenciou a sua trajetória artística?
A influência de Gil para mim não é só musical, é metodológica. Ele me ensinou que um artista pode ser múltiplo sem se diluir. A indústria muitas vezes tenta organizar artistas em caixas, mas Gil construiu uma trajetória que escapa disso. Ele transita entre o popular e o experimental, entre o político e o espiritual, sem pedir licença. Isso me afeta diretamente, principalmente na recusa de simplificar a minha própria identidade para caber em uma expectativa externa. Ele abriu uma possibilidade de existência artística onde a complexidade não é ruído, é fundamento.
Como é apresentar esse espetáculo no aniversário de Salvador?
Faz sentido que, no aniversário da cidade, o presente seja a própria cultura que ela produziu. Não como vitrine, mas como reconhecimento de quem construiu essa história de dentro. Trazer Gil para o centro desta celebração não é só coerente, é necessário. Estar nesse lugar é atravessar essa história em tempo real, não como homenagem distante, mas como parte de um fluxo que começou antes da gente e continua agora.
O que o público pode esperar desse show?
O público pode esperar movimento de verdade, não só físico, mas interno também. É um show pra mexer com o corpo e com o que a gente carrega de memória. Tem energia, mas não é vazia. É a força que a obra de Gil provoca quando encontra o rock. Tem entrega, tem troca. Eu entro disposta a puxar todo mundo pra dentro, não como plateia, mas como parte da experiência. O show reacende essas músicas de um jeito mais físico, mais urgente. É pra sentir.
