“Acabou com a família”, diz tio de mulher morta a facada durante assalto em Periperi

Por Luana Amaral

A secretária Taíse Cristina Santos da Silva, 29 anos, foi morta com uma facada por uma dupla de assaltantes, por volta das 19h de terça, quando resistiu a um assalto, em Periperi. Ela retornava do trabalho, em uma concessionária de veículos na Avenida Paralela, e já estava perto de casa, quando foi avistada por Gabriel Oliveira Nascimento Petersen, 18, e Denilson dos Santos Silva, 19. Amigos de infância, os rapazes, que também vivem em Periperi, planejavam realizar um assalto no dia.

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Andando sozinha pela Rua Recanto da Urbis, Taíse pareceu o alvo perfeito. Ao abordá-la, os assaltantes tentaram roubar o celular e a bolsa da secretária, porém, ela resistiu e começou a gritar. Denílson então deu uma gravata em Taíse e  Gabriel se aproveitou da situação  para dar uma facada no abdômen da moça, em um movimento ascendente (de baixo para cima). Ao ver a moça cair no chão, Denílson apanhou o celular e os dois assaltantes fugiram do local. A ação aconteceu na porta da casa da sogra de Taíse, onde a jovem morava.

Os familiares contam ter ouvido gritos do lado de dentro da residência, mas a princípio acreditaram se tratar de uma briga de casal. Ao escutar um pedido de socorro, reconheceram a voz de Taíse, porém, ao sair da casa para socorrê-la, ela já estava ferida. “Meu filho mais velho levou ela até a UPA de Periperi, mas o estado era muito grave e ela teve de ser transferida para o Hospital do Subúrbio”, contou o sogro, Aloísio Araújo, 77.

O golpe atingiu o fígado, o pulmão e o coração de Taíse, que sofreu três paradas cardíacas no hospital e morreu  à 0h50 de ontem. O corpo da secretária foi sepultado, à tarde, no cemitério Bosque da Paz. Os pais não tiveram condições de comparecer ao velório. “Eles estão arrasados. Acabou com a família”, disse um tio da vítima, que não quis se identificar.

Taíse tinha um relacionamento de 11 anos, mas só há dois meses oficializou a união no civil. “Ela tinha planos de engravidar este ano. Na sexta-feira, viajaria para o Rio de Janeiro para encontrar o marido, que é funcionário da Petrobras e morava lá”, contou Cátia Lopes, 36, amiga da família.

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Ainda na tarde de ontem, por volta das 16h, a polícia capturou a dupla que praticou o crime. Segundo o delegado Nilton Borba, titular da 5ª Delegacia (Periperi), Gabriel Petersen já tinha diversas passagens por roubo, na adolescência, além de um registro por agressão a companheira. “Em outra ocasião, foi preso na companhia de Romarinho e Batata, traficantes que foram mortos em um confronto com a polícia na segunda-feira” , destacou Borba. Gabriel foi surpreendido pelos policiais quando chegava em casa, um imóvel que divide com o pai. Ele confessou o crime em depoimento na 5ª Delegacia. “Vimos ela falando no celular, na Rua do Queijo, e fomos seguindo. Mostrei a faca, mas ela puxou a bolsa e gritou. Tem muito policial por perto lá na área. Pra ela calar a boca, dei a facada”, contou Petersen.

Denílson  não possuía registro na polícia. Ele foi localizado com o celular de Taíse em uma escola pública de Paripe, onde estuda. “Meu primeiro erro foi ter combinado o assalto. O segundo foi ter pegado o celular”, disse Denílson. “Ele ficou com o celular da vítima. Já tinha até passado os dados dele para o aparelho”, afirmou o delegado. Ainda de acordo com Borba, Gabriel e Denílson serão encaminhados, hoje, para o sistema prisional.

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