Eleição do PT em Salvador é marcada por confusão e deve ser decidida no 2º turno

Ademário Costa foi o mais votado na eleição interna do PT; Gilmar Santiago ficou em segundo lugar

A eleição interna do PT de Salvador foi marcada por confusão e deve ser decidida no segundo turno. Isto porque, segundo o partido, nenhum candidato conseguiu a maioria dos votos. Ademário Costa contesta e reclama de uma urna extra não ter sido aberta. Segundo ele, os votos contidos nesta urna lhe dariam uma vitória no primeiro turno do pleito. Costa disse que vai recorrer ao Diretório Estadual para ter a contagem dos sufrágios. Segundo dados divulgados pelo PT de Salvador, Ademário teve 1.352 votos (49,1%). Chefe de gabinete do deputado federal Jorge Solla, ele tem o apoio do parlamentar e do atual presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação. Além deles, os deputados estaduais Marcelino Galo e Jacó apoiam o primeiro colocado. Em segundo lugar, ficou Gilmar Santiago: 977 votos (35,5%), que tem a vereadora Marta Rodrigues como vice. Esta chapa tem o apoio do senador Jaques Wagner.

Em conversa reservada com a Tribuna, um integrante da cúpula do PT contou que o resultado pode enfraquecer a intenção de Wagner de emplacar o assessor Éden Valadares como o novo presidente do PT na Bahia. O senador, no entanto, tem tentado construir uma unidade entre os concorrentes pelo comando da legenda no estado. “Precisamos perseguir a unidade interna, pois só ela será capaz de nos fortalecer para reafirmarmos o nosso projeto político aqui na Bahia e enfrentarmos essa onda de atraso e desmonte instalada no país”, afirmou Wagner na semana passada.

A eleição de Salvador tem peso relevante isto porque o pleito para definir o novo presidente do PT-BA é indireto. São 400 delegados que vão escolher o sucessor de Everaldo. Só que os delegados são definidos a partir da quantidade votos obtidos nas eleições dos diretórios municipais. Por exemplo, se os apoiadores de Éden Valadares conquistarem 40% dos votos no estado, ele terá 40% do total de delegados. Para chefe do PT na Bahia, Ademário e Solla apoiam Elen Coutinho, que também pediu na semana passada unidade na sigla.  “Temos que sair desse PED (Processo de Eleições Diretas) com o PT fortalecido, afirmar uma nova forma de gerir coletivamente o PT, o compromisso com a nossa base partidária, reconstruir as relações de confiança e a democracia interna”, declarou.

Nos corredores da agremiação, há rumores de que pode haver um acordo. O mandato de presidente do PT-BA dura quatro anos. Pelo possível pacto, Eden comandaria a sigla por dois anos, e Elen administraria a legenda nos dois anos seguintes. Em terceiro lugar na eleição soteropolitana, ficou Dani Ferreira com 231 votos (8,4%). Em seguida, Walter Takemoto com 101 votos (3,7%) e Edenice Santana: 90 votos (3,3%). A previsão é que o segundo turno da eleição interna ocorra no final de setembro, provavelmente, no dia 29. No entanto, Ademário reclama do resultado.

“Não estou preocupado se essa urna vai garantir a vitória no primeiro turno ou não. Apenas não aceitaria que a vontade da militância não seja respeitada. O que está em questão agora é derrubar as velhas práticas antidemocráticas que desrespeitam a vontade soberana dos militantes do PT”, disse. “O que está acontecendo é um desrespeito à democracia interna do PT e ao direito dos militantes de votarem. Estamos falando de militantes que se deslocaram para votar na urna extra e que não estão tendo seus votos respeitados. Configura o medo de perder uma eleição no voto, o medo dos processos democráticos que caracterizam nosso partido historicamente. Nós não reconhecemos essa votação sem a apuração da urna extra”, emendou.

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