Ações contra sarampo focam em cidades turísticas da Bahia

Os quatro casos confirmados da doença no estado são importados

Com a confirmação de quatro casos importados de sarampo na Bahia – um da Espanha, dois de São Paulo e um de Minas Gerais -, as cidades turísticas estão sendo o foco das ações para coibir a expansão da doença no estado.

Ilhéus, no sul baiano, é uma das que realizam o bloqueio em pontos de entrada e saída de turistas. O secretário de saúde do município, Geraldo Magela, explica que as equipes de saúde estão oferecendo vacinas contra sarampo no Aeroporto Jorge Amado e na rodoviária da cidade.

“No aeroporto agimos no horário dos voos. Na rodoviária, é no período comercial, mas queremos estender. Ofertamos para quem está saindo para Salvador e para São Paulo. Também tem vacinação para quem chega, e os estrangeiros estão recebendo bem a campanha”, afirmou.

Dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) mostram que 367 casos de sarampo já foram notificados em 117 municípios. Destes, 178 permanecem em investigação – o número anterior era de 103 casos investigados. Em Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) investiga 52 casos suspeitos da doença.

Estratégia
O bloqueio vacinal é uma das estratégias do Ministério da Saúde para evitar a expansão da doença. Por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, os estados e municípios são orientados a vacinar todas as pessoas que tiveram ou têm contato com um caso suspeito em até 72 horas. A pasta ressalta que não há necessidade de vacinar novamente as pessoas que já estão imunizadas e têm comprovação vacinal.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas Boas, são realizadas ações de bloqueios nas cidades turísticas e nos pontos de chegada de visitantes, como aeroportos e rodoviárias. “Somos um estado que não tem transmissão ativa. Nós nos preocupamos com as cidades turísticas que possuem um maior fluxo de pessoas provenientes do estado de São Paulo”, afirmou ele.

Durante a reunião da Comissão Intergestora Bipartite (CIB) dessa quinta-feira (25), o secretário ressaltou ainda que é mais fácil controlar a doença enquanto os casos não são autóctones, ou seja, não têm origem no estado. O último caso originário da Bahia ocorreu em 1999. Já em 2011, a cidade de Porto Seguro havia notificado o último quadro confirmado de sarampo importado até este ano, de acordo com a Sesab.

Cobertura vacinal
A superintendente de Vigilância e Proteção da Saúde, Rivia Mary de Barros, afirma que intensificar a vacinação é o passo mais importante, já que é necessário alcançar uma cobertura vacinal mínima de 95% da população.

“O importante é ter uma cobertura homogênea no estado porque quando um município tem uma boa cobertura e o outro não tem, isso enfraquece todo o sistema”, informou ela.

Rivia disse ainda que, além das cidades turísticas, também é importante se atentar aos municípios que fazem fronteira com outros estados.Uma das cidades que tem cobertura abaixo da meta é Santa Bárbara, que possui apenas 51% da população vacinada, de acordo com a secretária de saúde, Jacklene Gonçalves. “As pessoas pensam que vacinar é quando está pequeno, depois não, só procuram com casos confirmados. É uma questão cultural”, disse ela sobre o porquê da baixa vacinação contra o vírus.

A presidente do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems-BA) e secretária de saúde de Itaparica, Stella Souza, ressalta que o caminho para o combate à doença é a vacinação. “De 2015 para cá vem caindo a cobertura. Com a queda da cobertura, umas janelas começaram a abrir. Primeiro, o vírus vem importado e depois começa a se espalhar. A corrida é cobrar a população para se vacinar”, afirmou.

Em 2015, de acordo com dados do Tabnet/Datasus, a cobertura da primeira dose da tríplice viral na faixa etária de um ano era de 90,18%, enquanto a da segunda etapa era de 78,54%. Até agosto de 2019, a porcentagem da faixa etária que recebeu a primeira dose é de 63,58%, enquanto apenas 49,74% dos baianos com a idade foram imunizados com a segunda etapa de vacinação. Os dados deste ano são do SI-PNI/Datasus.

Para garantir a prevenção, o Ministério da Saúde indica a aplicação de doses extras contra o sarampo em todas as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias. Para os 13 estados que estão em situação de surto ativo de sarampo, vão ser destinadas 960.907 doses.

“Estamos fazendo um processo ativo de vacinação e orientação para que a população vacine principalmente as crianças entre seis meses e um ano”, disse o secretário da Bahia. A presidente do Cosems-BA afirmou que é necessário dar atenção para a faixa. “A estratégia é vacinar as crianças de seis meses a um ano. Como teve caso de sarampo na faixa, estamos fazendo um intensivo para essas crianças”, afirmou.

No dia 23 de agosto, ocorreu a segunda reunião extraordinária da CIB em 2019. No encontro, os secretários de saúde dos municípios baianos debateram Imunização, Doenças Imunopreveníveis e Arboviroses – um dos focos da reunião foi a vacinação contra o sarampo.

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