Otto Alencar diz que lei do abuso pôs Bolsonaro em “sinuca de bico”

O senador baiano entende que Bolsonaro deve vetar pontos do texto, pois, segundo ele, se “exagerou na dose”

Líder do PSD no Senado, Otto Alencar afirmou, ontem, que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) está em uma “sinuca de bico” por causa do projeto aprovado pelo Congresso Nacional sobre abuso de autoridade. O senador baiano entende, porém, que Bolsonaro deve vetar pontos do texto, pois, segundo ele, se “exagerou na dose”.

“Ele não sabe quem agradar. Se ele vetar, vai desagradar o centrão. Se ele não vetar, desagrada o (ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio) Moro e companhia limitada. Está uma confusão lá em Brasília. Essa lei foi aprovada no Senado em um momento de muita tensão e muita conturbação da vida nacional, quando a Lava Jato estava no ápice de denúncia de vários senadores e deputados”, pontuou, em entrevista à rádio Metrópole. “É bem provável que ele vá atender a essa posição dos juízes, promotores e desembargadores (de vetar pontos). O que eu concordo plenamente até porque um dos artigos exige a identificação de quem prende o bandido. Então, o policial prende altamente perigoso do tráfico de drogas, chefe, e se expõe. Tá pedindo para morrer”, frisou.

O texto considera crime, entre outros pontos, obter provas por meio ilícito, decidir por prisão sem amparo legal, decretar condução coercitiva sem antes intimar a pessoa a comparecer ao juízo, submeter o preso ao uso de algemas quando não há resistência à prisão, invadir imóvel sem determinação judicial e estender a investigação de forma injustificada. O texto prevê, em alguns casos, pena de prisão para promotores e juízes.

Otto criticou o governo Bolsonaro também por flexibilizar, segundo ele, o desmatamento e as queimadas na Amazônia. “É um crime contra a humanidade. A floresta amazônica é responsável por 20% de todo oxigênio que se respira no mundo”, ressaltou. “Ele (Bolsonaro) não sabe o que está acontecendo no Brasil. Ele não tem preparo para governar uma nação como o Brasil, que tem economia, culturas distintas”, emendou, ao comparar Bolsonaro ao ex-presidente Jânio Quadros. Sobre a possível indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro – filho do presidente – para a Embaixada dos Estados Unidos, Otto disse que a tendência é ter um empate na Comissão de Relações Exteriores e o presidente do colegiado irá definir.

“Agora, no plenário do Senado, o voto é secreto. Aí é mais difícil embora, para indicação de embaixador, seja maioria simples. Se fosse maioria absoluta, seria complicado para ele”, pontuou. Otto negou que seu partido irá se fundir com o DEM e o PSDB, como se tem especulado na imprensa nacional. “São coisas que surgem em solenidade e jantares de Brasília de que haveria essa fusão do PSD, PSDB e o Democratas. Eu conversei com o presidente Kassab e me disse que nunca teve essa conversa para fazer essa fusão”, afirmou. O senador disse, ainda, que, a partir do próximo ano, haverá uma redução de partidos. Na avaliação dele, a diminuição de sigla irá trazer mais clareza para os eleitores sobre propostas partidárias.

“Nessa eleição agora, muitos partidos não vão disputar as eleições e deixarão de existir, porque não vai ter coligação. Um partido pequeno não vai poder se juntar a um partido grande para fazer coeficiente eleitoral. Então, vai diminuir muitos partidos que não têm estrutura”, analisou. Otto negou pretensão concorrer à prefeitura de Salvador em 2020, quando acontecerá a sucessão de ACM Neto, apesar do desejo de alguns aliados. “Meu título é de Rui Barbosa. Não vou mudar não. Lá atrás o senador Antônio Carlos mandou uma vez transferir, mas eu não transferi. Eu não mudei”, declarou.

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