Cinco das cidades mais violentas do Brasil ficam na Bahia; confira

Pesquisa analisou 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes

A violência cresceu no Brasil nos últimos anos e a Bahia é um dos oito estados do país com destaque no Atlas da Violência dos Municípios: cinco das 20 cidades mais violentas do país são baianas. A pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elaborada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi divulgada nesta terça-feira (5).

O levantamento analisou 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes em 2017 e fez um recorte regionalizado da violência no país. Os cinco munícipios baianos apontados como os mais letais são os mesmos que apareciam na pesquisa do ano passado, mas houve mudanças na ordem.

Simões Filho, na Região Metropolitana Salvador, voltou a liderar o ranking entre as cidades baianas, com taxa de 119,9 mortes para cada 100 mil habitantes. No ano passado, ela havia perdido a liderança para Eunápolis, no Sul do estado. Os eunapolitanos ainda fazem parte da lista, mas, agora, na 5ª posição na Bahia e a 20ª no Brasil, com 82,8 morte para cada 100 mil/ hab.

Na segunda posição aparece Porto Seguro, no Sul do estado, com 101,6 morte para cada 100 mil/hab, mesmo número do ano passado (101,7 mortes). Em seguida estão duas cidades da Região Metropolitana: Lauro de Freitas (com 99 mortes) e Camaçari (com 98,1 mortes).

No grupo dos 20 municípios com mais de 100 mil habitantes mais violentos do país, 18 ficam nas regiões Norte e Nordeste. Nesta lista, além das cinco cidades baianas, estão quatro do Pará, três do Ceará, dois do Rio Grande do Norte, dois em Pernambuco, e uma em cada um dos seguintes estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe e Acre. A lista foi encabeçada pelo município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE), cuja taxa estimada de homicídio em 2017 era de 145,7.

Estados
Com taxa de 55,3 mortes para cada 100 mil habitantes, a Bahia aparece no ranking dos oito estados em que foi percebido aumento significativo na quantidade de homicídios estimados. A taxa considera três dados: o número de óbitos por agressão, o número de óbitos ocasionados por intervenção legal, e o número de homicídios ocultos, que são os óbitos classificados como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCIs), mas que seriam, na verdade, homicídios.

“Procuramos dar um quadro mais geral não apenas dos dados socioeconômicos por região e UF, mas também das taxas de homicídios nessas localidades. Para isso, consideramos o conceito de taxa estimada de homicídios que inclui os homicídios ocultos, ou seja, a parcela do total de casos de MCVIs, que nós estimamos como sendo homicídios, mas que não foram classificados como tal”, diz a pesquisa.

Quando é levado em consideração o número de óbitos ocultos a taxa de homicídio na Bahia, que no Atlas da Violência 2019, divulgado em junho deste ano, era de 48,8 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, salta para 55,3. Outras diferenças significativas foram percebidas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Roraima.

No Nordeste, o estado com maior taxa de homicídios estimada era o Rio Grande do Norte (67,4), seguido por Ceará (64,0), Pernambuco (62,3), Sergipe (58,9), Bahia (55,3), Alagoas (53,9), Paraíba (33,9), Maranhão (31,9) e Piauí (20,9).

A Região Metropolitana de Salvador e o Sul do estado são apontados pela pesquisa como as áreas mais violentas da Bahia. As três cidades mais violentas são: Saubara (125,8), Tanquinho (123,8) e Simões Filho (119,9). Salvador não ficou muito atrás. Enquanto a capital possuía taxa de homicídio de 63,5, a média dos municípios do estado era 41,3.

A pesquisa lista alguns problemas da violência que influenciaram os números negativos na Bahia, como o fato de várias pequenas facções criminosas disputarem o varejo de drogas, principalmente na capital, entre as quais o Bonde dos Malucos (BDM), Comando da Paz (CP), Katiara e Caveira.

Segundo o estudo, as duas maiores facções do país, o PCC e o CV, também estão presentes no território baiano e procuram se associar com as quadrilhas locais a partir do fornecimento de armas e drogas. A pesquisa também afirma que o estado tem adotado uma linha de enfrentamento e embrutecimento no uso das forças policiais, melhor do que a inteligência e investigação, o que tem ajudado a alimentar o ciclo de violência.

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