Protesto pede guichês exclusivos para motos em pedágios baianos

Ação em praça de Lauro de Freitas ocorreu após caminhão ‘atropelar’ moto

 

Quem precisou passar pelo pedágio da BA-099, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, na manhã deste sábado (6), foi surpreendido por um movimento incomum, protagonizado por um bando de gente sobre duas rodas. Ao todo, 73 motociclistas se reuniram para uma manifestação na praça administrada pela Concessionária Litoral Norte (CLN), que dá acesso à Linha Verde.

O protesto é para que os pedágios da Bahia passem a dispor de guichês exclusivos para motos, o que segundo a categoria é uma questão de segurança, que não é seguida pelas administradoras dos pedágios.

A movimentação, que reuniu pelo menos seis diferentes grupos de motociclistas, começou, segundo os organizadores, depois que um piloto foi atropelado por um caminhão enquanto esperava para realizar o pagamento do pedágio.

O acidente ocorreu na última quinta-feira (4), no mesmo pedágio onde o protesto foi realizado. “A partir desse acidente, surgiu uma indignação geral. Já estamos indignados com isso há muito tempo, porque nenhum guichê exclusivo de moto nas concessionárias da Bahia está funcionando. Quando o motociclista paga o pedágio, tem que esperar na mesma fila dos carros, e isso expõe a gente a risco”, explica o gerente de logística Fábio Torquet, um dos envolvidos na ação.

Durante a ação, os motociclistas fizeram fila em direção aos guichês do pedágio. Lá, cada um fez o pagamento da taxa descendo da moto, pagando o valor e voltando ao veículo logo depois.

A intenção do ato, segundo os organizadores, era chamar a atenção para as necessidades dos motociclistas que ficam expostos nas mesmas filas dos demais veículos de quatro ou mais rodas.

“Estamos reivindicando um direito nosso, é uma questão de segurança. As faixas exclusivas existem, mas não funcionam porque as concessionárias não querem colocar funcionários para o atendimento”, conta o empresário Fábio Teshirogi, 41, conhecido como Japa.

Procurada, a Concessionária Litoral Norte (CLN), responsável pelo pedágio onde a ação ocorreu, não respondeu até o fechamento deste texto, os questionamentos sobre o acidente que teria ocorrido na quinta-feira, nem sobre a ausência das pistas exclusivas.

Apoio a protesto
Entre os manifestantes, houve apoio de quem não fazia parte de qualquer um dos grupos envolvidos. Foi o caso do piloto de avião Jorge Viana, 37, para quem “é um transtorno (a falta de baia exclusiva). O capacete não te dá visão do bolso, com a luva não temos tato, então, precisamos de uma cancela exclusiva, mais segura. Vim por achar que é uma causa justa, independente de grupos ou associações”, explica.

Outra que foi apoiar a causa, a professora Alessandra Cerqueira, 42, costuma viajar de moto com o marido e também sofre com o problema. “Eu fui pesquisar e vi a quantidade de acidentes que acontecem em função de não ter essa faixa exclusiva. É de extrema importância e a gente sabe que em outros estados ela já existe”, comentou.

Entre os carros, que acabaram impactados pela ação, opiniões diversas. O motorista George Santos, 44, que estava a caminho de Guarajuba, declarou apoio à manifestação, mesmo diante dos transtornos.

“É importante. Eu ando de moto também e sei que seria mais seguro se tivesse a via. Acho válido o protesto”, declarou.

Já o aposentado José Carlos Santos, 68, não ficou satisfeito com o resultado da ação. “Estou aqui há quase 30 minutos. Um absurdo”, reclamou.

Após o início da ação, com a lentidão na fila, novas guaritas de pagamento que estavam fechadas foram abertas pela concessionária para tentar diminuir o impacto.

Outro lado
Em nota, a Concessionária Litoral Norte (CLN) informou que os motociclistas não informaram o motivo do protesto e que, ainda assim, “os operadores atuaram para atender aos usuários, incluindo os integrantes do ato, com rapidez, de modo a garantir a fluidez do tráfego na região”.

Empresa Invepar Rodovias, a CLN administra a rodovia BA-099, que compreende a Estrada do Coco (a partir do km 7,7) e a Linha Verde, conectando Lauro de Freitas até a divisa dos Estados da Bahia e de Sergipe, com extensão total de 217 km, entre 183 km de rodovias e 35 km de vias de acesso.

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