Falha em manutenção é apontada como causa da queda do elevador que matou dois operários

Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRT) concluiu investigações sobre acidente que aconteceu em Salvador, em março deste ano.

A empresa responsável pelo elevador que despencou de um prédio de luxo no Corredor da Vitória, bairro nobre de Salvador, e matou dois operários, não comprovou a realização dos serviços de manutenção, substituição de peças e troca de óleo. A informação foi divulgada pela Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRT), nesta segunda-feira (1°).

Segundo informações do SRT, as análises feitas durante três meses de investigação apontam diversos fatores que contribuíram para a ocorrência do acidente, todos relacionados a falhas na gestão de manutenção do elevador e gestão da segurança no ambiente.

Ronério Silva dos Santos, de 35 anos, e Geovani Silva dos Santos, de 17 anos, morreram na manhã do dia 18 de março deste ano. Os dois eram tio e sobrinho. Um outro homem, que não teve a identidade revelada, foi socorrido e levado para o Hospital Geral do Estado (HGE).

O adolescente trabalhava ilegalmente, porque a legislação não permite menores de idade na área de construção. O elevador estava instalado na área externa da Mansão Carlos Costa Pinto, prédio de luxo que possui 18 andares e um apartamento por andar. A queda foi de uma altura de 15 metros.

Fachada da Mansão Carlos Costa Pinto, no Corredor da Vitória, onde os trabalhadores caíram de elevador na Bahia — Foto: Alan Oliveira/G1

Fachada da Mansão Carlos Costa Pinto, no Corredor da Vitória, onde os trabalhadores caíram de elevador na Bahia —

Segundo o órgão, a inexistência de um profissional legalmente habilitado, responsável pela supervisão e realização dos serviços, a falta de capacitação dos trabalhadores para o trabalho em altura durante a instalação do elevador e a inexistência de um cabo de segurança fixado em uma estrutura independente também foram decisivas para o acontecimento.

A SRT informou que os condomínios devem estar atentos à questão da segurança e saúde dos trabalhadores ao contratarem as empresas para a prestação de algum serviço.

O relatório detalhado sobre a investigação, elaborado pela auditoria fiscal do trabalho, será encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), à Procuradoria Federal do INSS e aos familiares das vítimas e sindicato.

De acordo com o banco de dados das Comunicações de Acidentes do Trabalho (CATS), foram registrados em 2018, no INSS, 93 acidentes de trabalho com óbito na Bahia. Já em 2019, até o primeiro trimestre, há o registro de 11 vítimas que perderam a vida em acidentes do trabalho.

Compartilhar