Operação prende em Salvador suspeito de aplicar golpes em aposentados

Segundo Ministério Público, esquema tem envolvidos de quatro estados

Um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira (27) pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) em Salvador em uma investigação contra integrantes de organização criminosa que aplicava golpes em aposentados e pensionistas. O esquema tem envolvidos de quatro estados e 16 pessoas foram presas – além de uma na Bahia, uma no Rio de Janeiro, 14 em São Paulo. Há envolvidos também no Espírito Santo. O Ministério Público do Rio de Janeiro comanda o caso e denunciou 33 pessoas. Dois deles, Marcelo Pimenta de Moraes Arias e Marcos Antônio Amorim Soares, são de Salvador.

De acordo com a denúncia, as vítimas, em sua maioria idosos, eram lesadas quando se filiavam em associações que iriam ajudar nas revisões de seus benefícios. Os aposentados e pensionistas eram informados de que se tratava de uma “causa ganha” por conta de uma suposta decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determina reajuste de 28,5% e pagamento de atrasados, o que não aconteceu.

Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), a quadrilha movimentou cerca de R$ 190 milhões. Além de estelionato os denunciados também são acusados por crimes de lavagem de dinheiro.

DO MP-RJ diz que a organização criminosa é comandada por Aparecido Pimenta de Moraes Arias e um núcleo que inclui muitas pessoas de sua família, como irmãos, pai, sobrinho e cunhados. A organização tinha um “núcleo jurídico” que cobrava anuidade dos “associados” seguindo uma cláusula de renovação automática do acordo, incluída de maneira disfarçada.

A quadrilha conseguia bancos de dados pessoais de aposentados, pensionistas e servidores – ainda não se sabe como, “mas não se vislumbra a possibilidade de tais dados serem obtidos de forma lícita”.

A partir daí, eles enviavam correspondência para as pessoas listadas informando da falsa decisão do STF e dizendo que deveriam comparecer ao escritório da associação para discutir o assunto. No local, as pessoas eram atendidas por funcionários, que não são advogados. As vítimas foram instadas pagar quantias que variavam de R$ 1.096 a R$ 3.400 por acreditar que só assim receberiam os valores ilusórios prometidos. Elas sequer sabiam que estavam “se associando” à associção ao pagar e assinar os papéis recebidos. As declarações das vítimas estão em mais de 120 inquéritos policiais em andamentos sobre o caso.

Marcelo Arias, que mora em Salvador, é irmão de Aparecido, apontado como “cabeça”. O nome dele figura como contato no site de sete das associações investigadas, aparece como signatário na ata da assembleia de uma delas. “Ou seja, ele está ligado diretamente a oito associações do grupo, o que demonstra papel de destaque na organização criminosa”, diz a denúncia. “Marcelo também figura como sócio de familiares e/ou de terceiros em empresas criadas para ‘lavar’ o dinheiro ilicitamente obtido e para ‘prestar serviços’ para as associações que fazem parte do grupo”, continua.

O outro denunciado de Salvador, Marcos Antônio, foi presidente de uma das associações, presidente do conselho de outra e também faz parte das empresas que, acusa o MP-RJ, foram usadas para lavar o dinheiro criminoso.

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