Rui Costa rebate Doria após crítica a governadores do Nordeste

João Doria culpou os gestores estaduais do Nordeste pelo fato de os estados ficarem de fora da reforma

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), rebateu, ontem, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que culpou os gestores estaduais do Nordeste pelo fato de os estados ficarem de fora do parecer do relator Samuel Moreia (PSDB-SP) sobre a reforma da Previdência. Em postagem nas redes sociais, o petista baiano afirmou que a mudança nas aposentadorias, “precisa ser boa para os estados e proteger os mais pobres” e que os governadores não “aceitarão qualquer tipo de chantagem ou pressão”.

“Existe um ponto que precisa ficar muito claro: a Bahia trabalha e torce para que o País dê certo. E eu tenho certeza de que o Nordeste também. A reforma precisa ser boa para os estados e proteger os mais pobres. Os governadores do Nordeste participaram de várias reuniões e continuam abertos para novas discussões, mas não baixarão a cabeça ou aceitarão qualquer tipo de chantagem ou pressão. A Previdência é um assunto sério e não pode ser discutida em tom de palanque eleitoral ou mesmo com preconceito. O Brasil é um só. Nossa atitude não é de traição ao povo mais pobre”, disse Rui.

Para Doria, faltou “atitude” e “voz de comando” por parte de governadores do Nordeste para mobilizar deputados da região e fazer com que estados e municípios fossem incluídos no relatório da reforma da Previdência. O tucano foi um dos principais articuladores do movimento que pedia a manutenção dos governos locais no texto de Samuel Moreira.

O governador paulista afirmou que compreendeu o movimento de não inclusão como uma estratégia “bem desenhada” da base do governo para evitar confrontos e que a expectativa é de que estados e municípios sejam incluídos no projeto na próxima semana. “Continuo batendo na mesma tecla de que é impossível realizar a reforma da previdência sem estados e municípios incluídos”, afirmou. “A exclusão não vai ocorrer. Mas se ocorresse condenaria a reforma da previdência a curto e médio prazo.”

Segundo ele, governadores do Nordeste (muitos dos quais oposicionistas) se comprometeram nesta semana, durante o Fórum de Governadores, a fazer esforços para conquistar votos favoráveis à medida de deputados da região. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que os estados e municípios podem ser reincluídos por meio de destaque e que o mais provável é que isso ocorra em plenário. Para isso, é necessário que haja compromisso de deputados ligados aos chefes dos Executivos estaduais de votar pela reforma.

O governador baiano tem sinalizado apoio à reforma desde que sejam retirada as mudanças nas aposentadorias rurais e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos em situação de miséria. Também exige a exclusão do trecho que autoriza a criação de um regime de capitalização e dos pontos que retiram da Constituição a definição de regras da aposentadoria. No parecer do relator, foram retirados os quatro pontos.

Rui argumenta ainda que o texto precisa mudar porque pode causar impacto nas contas dos governos estaduais. Segundo ele, estudos feitos na Bahia mostram que trará impacto a reintrodução da paridade para agentes penitenciários e policiais, dando aos inativos o direito a reajustes concedidos à ativa. “Isso, sim, é ideologia. Como o governo tem esse viés policialesco, faz esse aceno. Mas policiais são a maior parte do déficit dos estados. Isso nos onera.”, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Compartilhar