Petrobras oferece ao mercado 22 campos de petróleo na Bahia

O mais novo passo da Petrobras em seu processo de venda de ativos animou produtores independentes de petróleo na Bahia. Embora tenha liberado uma quantidade menor de áreas do que se esperava, a estatal anunciou ontem que vai abrir mão de um total de 22 concessões terrestres no estado.

Juntas as áreas respondem por uma produção de 4,3 mil barris de petróleo por dia (bpd) e 631 mil metros cúbicos por dia (m3/dia) de gás (correspondentes a 4 mil bpd em óleo equivalente). As áreas têm uma capacidade de produção correspondente a aproximadamente 12% dos 68,572 bpd que foram produzidos na Bahia em 2018.

As empresas interessadas deverão fazer as demonstrações de interesses até o próximo dia 14.

O anúncio feito ontem pela Petrobras foi o das oportunidades (teaser) referentes à cessão da totalidade de suas participações em dois conjuntos de concessões terrestres. As possíveis vendas incluem as instalações compartilhadas de escoamento e tratamento de produção nas áreas chamadas de  Polo Recôncavo e Polo Rio Ventura, de acordo com um comunicado que foi emitido ontem pela empresa.

O Polo Recôncavo compreende 14 concessões: Aratu, Cambacica, Candeias, Cexis, Dom João, Dom João Mar, Guanambi, Ilha de Bimbarra, Mapele, Massui, Pariri, São Domingos, Socorro e Socorro Extensão, com produção total média, em 2018, de cerca de 2,8 mil bpd de óleo e 588 mil m3/dia de gás.

O Polo Rio Ventura compreende oito concessões terrestres: Água Grande, Bonsucesso, Fazenda Alto das Pedras, Pedrinhas, Pojuca, Rio Pojuca, Tapiranga, Tapiranga Norte, com produção total média, em 2018, de cerca de 1,5 mil bpd de óleo e 43 mil m3/dia de gás.

A Petrobras é operadora com 100% de participação nas concessões, com exceção de Cambacica e Guanambi (Polo Recôncavo), em que possui participação majoritária de 75% e 80%, respectivamente.

Planos da empresa
De acordo com a Petrobras, essas operações estão alinhadas “à otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando a geração de valor para os nossos acionistas”. No último dia 27, a empresa tinha apresentado ao mercado áreas de que pretende se desfazer no Espírito Santo.

O secretário-executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), Anabal dos Santos Júnior, afirma que a expectativa era de uma oferta maior de áreas por parte da Petrobras. Ainda assim, ressalta, o anúncio de ontem é considerado positivo por ele. “Nós temos um total de 250 concessões, a Petrobras já informou que vai manter 70 destas. No programa de  desinvestimento estão cerca de 90 dessas áreas, então faltam definições ainda sobre os destinos de 90 áreas”, calcula Anabal Santos.

Para o executivo da Abipip, a estatal vem dando sinais de que pretende cumprir o acordo que foi firmado junto à Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), de passar para as mãos de outros investidores as áreas nas quais não pretende explorar. “Já houve vendas no Rio Grande do Norte, no Espírito Santo, em Sergipe foi anunciado recentemente que estava havendo um avanço. E agora temos esses dois polos da Bahia”, enumera.

“É uma notícia boa, sinal de que o processo está avançando. Os campos não são os melhores campos da Bahia, estão longe disso, mas é uma iniciativa boa”, destaca Anabal Santos. A crítica que o setor faz ao processo é mais focada na demora para a tomada de decisões. “O que a gente sempre questiona e de certa forma reclama é que os processos são muito demorados. Apesar da preocupação em tentar fazer de modo mais célere, ainda é um processo demorado”, afirma. “Podemos comemorar, mas ainda está longe de atender todas as demandas e projeções deste processo de desinvestimento”, complementa.

A Diretora de Desenvolvimento de Negócios da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia (SDE), Laís Maciel, destaca a importância do anúncio feito ontem, mas diz esperar que o anúncio feito ontem seja apenas o primeiro. “Para nós, enquanto governo do estado, o importante é que os poços estejam produzindo, gerando empregos, renda e riquezas para a Bahia. Se for através da Petrobras, será bom, mas se forem empresas privadas, também”, avalia. “O que nós defendemos é que as áreas produtoras não podem ficar paradas”, diz.

Para Laís Maciel, o impacto que o anúncio de ontem terá só poderá ser medido após a venda das áreas. “Ainda não sabemos quais serão as empresas interessadas, então é difícil mensurar o impacto neste momento, mas ainda assim é possível dizer que a perspectiva de investimentos é positiva”, avalia.

De acordo com nota enviada pela ANP, foram assinados dois acordos entre a agência e a Petrobras. O primeiro estabeleceu o dia 30 de junho de deste ano para início do processo de cessão dos campos em terra e águas rasas dos quais a Petrobras pretendesse se desfazer. Um segundo acordo postergou este prazo até o final deste ano. Já foram renovadas as concessões de 37 poços que interessavam a empresa, segundo a agência.

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