Em Salvador, Kataguiri nega que MBL faça oposição a Bolsonaro

O deputado federal esteve em Salvador para o 3° Congresso Estadual do MBL-BA, realizado no último fim de semana no Hotel Villamar

O deputado federal e líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri (DEM-SP), esteve em Salvador para o 3° Congresso Estadual do MBL-BA, realizado no último fim de semana no Hotel Villamar.  Na ocasião, ao responder um questionamento da Tribuna, o parlamentar se posicionou sobre a hashtag “#ImpeachmentBolsonaro”, que predominou no Twitter após a hipótese ser levantada pelo jornalista Reinaldo Azevedo em um artigo no jornal Folha de São Paulo diante da falta de articulação e do fracasso até então do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de avançar com as reformas no Congresso Nacional.

“O governo precisa prestar mais atenção à sua articulação política, pensar mais em governar, se preocupar em aprovar a reforma da previdência. Eu venho alertando há seis meses sobre a regra de ouro. O governo no orçamento aprovado já tem a previsão que o governo vai quebrar a regra de ouro e pedir crédito suplementar.  A regra de ouro basicamente define que o governo não pode tomar empréstimo para pagar despesa corrente, despesa do dia a dia, e só pode tomar empréstimo para fazer investimento, principalmente obras de infraestrutura. Esse ano para pagar custeio da Previdência e programas assistenciais como o Bolsa Família, o governo vai ter que pedir crédito para o Congresso”, analisa.

“Se o Congresso negar esse crédito ou o governo dá o calote ou comete crime de responsabilidade fiscal. E esse mesmo pedido terá que ser pedido pelos próximos três anos, incluindo esse ano. O governo, neste ano e nos próximos três, está nas mãos do Congresso Nacional e precisa trabalhar bem a questão da parte fiscal para não sofrer esse tipo de risco, é uma questão que já vem sendo debatida dentro do Congresso e precisa tratar isso com maior atenção. A maior maneira para o governo se livrar disso é aprovar uma reforma previdenciária mais robusta e tendo aumento de arrecadação para que nos próximos anos não precise pedir”, completa.

O fato é que o MBL tem feito críticas mais duras ao Palácio do Planalto. Isso fomenta especulações de que a cúpula do movimento estaria na oposição a Bolsonaro.  Questionado sobre o assunto, Kataguiri é taxativo: “Não é oposição, é independente. Não faz sentido se a gente fosse oposição apoiar a principal pauta do governo, e ser a principal ponta de lança da reforma da previdência, inclusive mais do que as próprias lideranças do governo.  Não encaixa essa conta. O que não faz o menos sentido também seria o MBL sendo um partido liberal apoiar fechamento de congresso, de Supremo, mesmo porque sendo a manifestação dia 26, invadir ou não invadir não vai fazer a mínima diferença porque é num domingo, não vai ter deputado nenhum lá”.

Ele também negou que as manifestações de rua em defesa da Educação, convocadas na semana passada, tenham a mesma força que as passeatas realizadas em 2013 e em 2016. “Eu não acredito que tenham força de tomar essa magnitude, porque tem uma parte legitima que foram para as ruas protestar contra os rumos que a educação vem tomando, mas as lideranças e os palanques foram inegavelmente dados por lideranças partidárias  e isso contaminou a manifestação o que bloqueia fenômenos como 2013, que foi 2013 justamente por ter sido centralizado e não comandado por partido nenhum”.

Diferenças com o DEM

O deputado disse discordar do posicionamento de Elmar Nascimento, líder do DEM na Câmara, na questão da Reforma da Previdência. “O partido não tem posição fechada. Eu sou independente para me posicionar, inclusive discordo do deputado Elmar sobre o BPC e aposentadoria rural. Não acredito que penalize os mais pobres. O sentimento da bancada geral é favorável a reforma, alguns defendem algumas emendas, ajustes. As maiores modificações vêm dos partidos de esquerda”.  O parlamentar também não teceu comentários sobre o presidente nacional da sigla e prefeito de Salvador, ACM Neto. “Eu pessoalmente sobre as posições locais de Neto não vou saber comentar, porque foco mais em Brasília. A opinião das lideranças locais do MBL verbaliza o sentimento do MBL e linha ideológica do MBL nacional”.

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