Políticos baianos aderem a manifestação contra cortes na Educação

Marta Rodrigues disse que a dimensão das manifestações deixou claro que a população não está de acordo com a postura do governo com as universidades

Todos os estados da federação aderiram ontem ao grande protesto contra os cortes de verbas dos institutos e universidades federais, promovidos pelo governo Bolsonaro. Na capital baiana, mais de 50 mil pessoas, segundo os organizadores, saíram do largo do Campo Grande até a Praça Castro Alves. Desde às 8 horas, bradaram pelas ruas políticos, professores, estudantes, coordenadores escolares de escolas do ensino público e do ensino particular, além de profissionais liberais e trabalhadores aposentados.

Depois da concentração, todos se saíram em passeata, cantando e falando palavras de ordem contra o governo federal. Líder do PT na Câmara Municipal de Salvador, a vereadora Marta Rodrigues disse que a “grande dimensão” da Paralisação Nacional pela Educação deixou muito claro para o País,  para os membros do Planalto e do Congresso, que a população não está de acordo com a postura autoritária e persecutória do governo Bolsonaro com as universidades e instituições federais.

“Isso mostra que o povo brasileiro tem um zelo muito grande pela educação e quando ela é afetada toda a população fica alerta. A partir daí o leque de problemas de um governo se abre e fica à mostra. O corte nas universidades deixou  todos preocupados, principalmente porque ninguém quer ver retroceder os avanços promovidos pelos governos Lula e Dilma, que criaram 18 universidades públicas e 422 escolas técnicas no Brasil. Ao mexer na universidade, Bolsonaro mexeu num vespeiro”, opina Marta.

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) repudiou as criticas do presidente Jair Bolsonaro às manifestações realizadas. Nos EUA, Bolsonaro chamou os manifestantes da educação de “idiotas úteis” e disse que os 14 milhões de brasileiros desempregados “não têm qualquer qualificação”.  O único idiota que os brasileiros conhecem, Bolsonaro, é você, que quer destruir a educação pública brasileira. Você é um inútil que não consegue apresentar nenhuma perspectiva, nenhum projeto positivo para o Brasil”, escreveu Robinson Almeida, no microblog Twitter.

Também presente nas manifestações em Salvador, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) declarou que “esse movimento é um grande basta a esses absurdos que o governo Bolsonaro vem fazendo”. “A gente já viu contingenciamento de verbas em outros governos, e houve muitas. Mas o que a gente está vendo agora é mais do que um contingenciamento, é um corte deliberado, pois esse governo não acredita nas universidades”, declarou.

A também comunista vereadora Aladilce Souza (PCdoB) ressaltou que o manifesto “não se restringe só a professores e estudantes”. “A sociedade entendeu que precisamos de muita união para afastarmos esses setores do golpe que tivemos no Brasil. Temos um desgoverno que quer acabar com todos os direitos alcançados depois da Constituição. Cortar recursos da educação é um crime contra a nação”.

Brasília – A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) participou em Brasília das manifestações contra os cortes orçamentários nas universidades públicas e em defesa da Educação. Na oportunidade, a parlamentar baiana também criticou a fala do presidente Jair Bolsonaro, que chamou de idiotas os participantes dos atos em todo o País. “É um despreparado. Suas atitudes mostram que ele não está apto para a função que lhe foi conferida e não sabe lidar com o contraditório que é típico das democracias”, disse.

Lídice também chamou de sinistro o ministro da Educação, Abraham Weibtraub, responsável pela política de cortes de verbas de custeio nas universidades e institutos federais de Educação. “É um ministro que só anuncia medidas ruins e danosas, com essa política destruidora da Educação”, disse. A deputada federal defendeu ainda uma educação pública, de qualidade e inclusiva, “capaz de colocar de volta os jovens negros na universidade para que eles não sejam alvo da violência, do crime organizado e da repressão policial”.

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