Sinos da Catedral Basílica voltarão a tocar depois de 50 anos

Momento histórico será em homenagem ao padroeiro de Salvador, São Francisco Xavier

Depois de 50 anos parados, os sinos da Catedral Basílica vão voltar a tocar nesta sexta-feira (10). A retomada dessa tradição secular ocorrerá às 18h, durante as comemorações do padroeiro de Salvador, São Francisco Xavier. O som dos sinos voltará a ser costumeiro nos arredores do Terreiro de Jesus. A partir de agora, todos os dias dois deles serão tocados duas vezes por dia: às 12h e às 18h. Às sextas-feiras, além desses dois horários, vão ecoar também às 15h. A tradição está de volta após os sinos passarem por uma revitalização que custou R$ 40 mil. Dois deles ainda precisam de restauração.

(Foto: Divulgação)

Além do retorno dos sinos, a programação do padroeiro de Salvador inclui ainda queima de fogos, procissão e Missa na Catedral Basílica. A programação terá início com a apresentação da Filarmônica da Polícia Militar, às 17h, em frente à Catedral Basílica, seguida de queima de fogos e da primeira etapa de requalificação dos sinos da Catedral, que são dos séculos 16 e 17.

Por volta das 18h, vereadores de Salvador farão uma procissão com a imagem de São Francisco Xavier, saindo da sacristia e seguindo até o altar- mor. A missa será animada pelo coro Barroco da Bahia, acompanhado do órgão de Tubos da Catedral.

No calendário litúrgico católico, a festa de São Francisco Xavier é celebrada sempre no dia 3 de dezembro. Mas, em Salvador, ele é reverenciado em 10 de maio, porque foi nessa data que ele virou oficialmente o padroeiro da cidade.

“Nós queremos resgatar essa tradição que ficou relativamente esquecida. Em 1686 houve um surto de febre amarela na cidade, em que a população quase foi dizimada. Na época, os jesuítas moravam no prédio ao lado da Catedral e cuidavam dos doentes. Foi então que incentivaram a comunidade a fazer uma quarentena de orações a São Francisco Xavier, com direito a uma procissão gigante pelas ruas de Salvador. Depois disso, a doença cessou e atribuíram o milagre a São Francisco Xavier. Foi então que a Câmara de Vereadores, em nome do povo, fez uma votação para que ele virasse o padroeiro de Salvador. A partir daí, ele passou a ser comemorado todo 10 de maio”, explica o pároco da Catedral Basílica, padre Abel Pinheiro .

O problema é que, de acordo com o pároco, com a expulsão dos jesuítas, no século XVIII, houve uma tentativa de apagar todas as marcas e influências que eles deixaram na cidade e, com isso, a devoção foi sendo esquecida. “Nos últimos anos, a igreja vem tentando reavivar na memória do povo a festa de São Francisco Xavier, que foi um grande homem na história.”

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