Tia Eron rebate tese de “improdutividade” após ser demitida por Damares

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, demitiu a secretária nacional de Políticas para Mulheres, Eronildes Vasconcelos – a Tia Eron (PRB). A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, no fim de semana. O posto será ocupado pela também ex-deputada federal Rosinha da Adefal (Avante-AL), que é hoje secretária-adjunta da estrutura.

Segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”, Damares vinha reclamando do desempenho de Eron no cargo. Para ela, a secretária não atendeu às expectativas. Uma das supostas queixas era a falta de políticas eficientes para o combate a violência doméstica no país. A avaliação era também de que ela não tinha uma boa relação com sua equipe.

Uma fonte, no entanto, revela que a demissão tratou-se de “fogo amigo”. “Existia uma briga interna. Esses indicados dessas diretorias são ligados à secretária-adjunta, Rosinha. Por ser titular da pasta, coube a Tia Eron o ônus. A conversa com a ministra foi tranquila. Ela sabe que mesmo sendo titular, Tia não tinha gerência por essas pessoas. Não se mexe com indicados de outras pessoas, né. Mas sempre tem que rolar uma cabeça. A demissão foi sim fogo amigo. Desde o início que ela assumiu os conflitos se instalaram. A secretária adjunta não aceitava Tia Eron”, revela a fonte.

Eronildes não foi encontrada para comentar o caso, mas rebateu as críticas em nota. “O motivo da exoneração citado foi a improdutividade da pasta, que apesar de ter ofertado 18 ações com apenas dois meses de posse de Tia Eron, teve todas realizadas pela Diretoria de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, enquanto as outras Diretorias comandadas por Lilian Nunes, Morgana Macena, a coordenadora Roberta Monzini, a assessora Crislane Pinto, o assessor Lucas Carvalho e a secretária adjunta Roseane Carvalho de Freitas, não ofertaram resultado. Sendo esse o núcleo duro da inoperância”, declarou a assessoria de imprensa de Eron.

“O estopim aconteceu na última entrega no dia 30 desse mês quando as citadas se recusaram a assinar o acordo de compromisso da SNPM com a Defensoria Pública da União e a Secretária de Justiça e Cidadania do DF, em comemoração ao Dia da Mulher Brasileira rechaçada todas as ações e por fim  humilhando de público a Ministra Damares recusando o pedido da mesma para uma foto. Tia Eron segue tranquila e agradece muito a Ministra Damares, ao Presidente Jair Bolsonaro, a bancada feminina da Câmara, ao PRB, e aos servidores da Secretaria”, finaliza a mensagem. “Continuarei lutando pelas mulheres brasileiras e confiante nos planos de Deus”, afirmou Eron, na nota.

Comissão

A procuradora federal dos Direitos do Cidadão Déborah Duprat se manifestou pela incompatibilidade de seu colega, Aílton Benedito de Souza, do Ministério Público Federal em Goiás, para integrar a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Segundo ela, o procurador usa as redes sociais para criticar “providências que são ou devem ser tomadas na perspectiva de uma justiça de transição”. Para Benedito, a manifestação dela representa uma “tentativa de censura”. Ele ressaltou ao Conselho Superior do Ministério Público Federal que já inclusive abriu inquérito para investigar desaparecidos “em prol do Direito da Sociedade à memória e à verdade”. A Comissão, criada 1995, tem a competência de reconhecer e localizar os corpos de desaparecidos políticos entre 1961 e 1988, no período que compreende anos que antecederam a Ditadura Militar (1965-1985) e a aprovação da Constituição.

Ativo nas redes sociais, Aílton Benedito elenca, em seu perfil do Twitter, a ordem, a liberdade, a Justiça e o conservadorismo em sua própria descrição. Na plataforma, é crítico contra quem classifica como esquerdistas’. “Segundo os esquerdistas brasileiros seguidores do presidiário Lula, sequer houve ditadura no período Vargas, tanto que a suposta Comissão Nacional da Verdade não se preocupou em saber a verdade sobre as vítimas presas, torturadas e mortas a mando do ditador”, diz, em uma de suas publicações.

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