Itapuã é o bairro mais barulhento de Salvador

Essa não é a primeira vez que Itapuã aparece no topo da lista dos cinco bairros mais barulhentos de Salvador.

Domingo de sol, praia lotada e a curtição sendo embalada ao som de funk e pagode, que ecoam de caixas de som das barracas próximas ao Farol de Itapuã. Já na Rua da Música, também conhecida como Rua K, o som automotivo costuma dar continuidade à festa após o sol se pôr. É por essas e outras que o bairro liderou o ranking de denúncias de poluição sonora na capital baiana, em 2018.  Essa não é a primeira vez que Itapuã aparece no topo da lista dos cinco bairros mais barulhentos de Salvador.

De acordo com a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), ao longo de 2018 foram registradas 1.286 denúncias de som alto em Itapuã. Em seguida aparecem Cajazeiras (1.198), Pernambués (1.157), Liberdade (1.108) e Boca do Rio (1.007). No total, a Semop recebeu 41.005 reclamações, o que representa uma média de 112 denúncias diárias.

Conforme levantamento da pasta, os veículos particulares são os maiores emissores de ruídos. Residências, bares, restaurantes e boates, área pública e igrejas completam a lista.

“O pico de denúncias acontece no período do verão, quando há o aumento no número de festas e eventos na cidade. As reclamações foram recebidas pelo telefone 156, pela imprensa e pelo Ministério Público”, explicou a Semop, em nota.

No caso de Itapuã, vale lembrar que o Iara Beach Hotel, situado na Rua do Teatro, foi alvo de reclamações de moradores,  que questionaram o barulho das festas particulares realizadas na parte externa da pousada.

Morador de Nova Brasília de Itapuã, o jornalista Ricardo Figueiredo (33) brinca ao dizer que muitas vezes o gênero musical que vai ouvir a contragosto é o critério para escolher em qual área da praia de Itapuã vai mergulhar. “Gosto de ficar na barraca Guardião do Mar, na Rua J, que tem um som mais baixo e permite conversar sem gritar”, recomendou.

Apesar disso, ele admite que ler um livro, por exemplo, é tarefa impossível de realizar nesta praia da cidade, a não ser que o banhista tenha alto poder de concentração ou consiga abstrair o barulho do entorno.

Multa

A Lei do Silêncio (Lei 5.354/98) prevê o limite de 70 decibéis entre 7h e 22h e 60 decibéis das 22h às 7h. Quem ultrapassa os limites de som está sujeito a sanções que vão desde notificação, autuação, embargo, interdição de imóvel e apreensão de equipamentos até multa de R$ 1.039,85 a R$ 173,165,45 mil. O valor da multa varia de acordo com a quantidade de decibéis excedentes.

Segundo a Semop, durante as operações realizadas no ano passado os fiscais emitiram 578 autos de infração, 689 notificações e apreenderam 152 equipamentos sonoros.

Queda

Apesar da grande quantidade de reclamações em 2018, o secretário de Ordem Pública, Marcus Passos, destacou que nos últimos três anos houve uma redução no número de denúncias em Salvador. Segundo ele, em 2016, a capital baiana teve 60 mil denúncias de poluição sonora. Em 2017, as reclamações caíram para pouco mais de 47 mil. Já em 2018, a secretaria contabilizou 41 mil ocorrências.

“Esse resultado é fruto do trabalho da atual gestão, que vem priorizando as ações de combate à poluição sonora, seja aumentando o número de agentes e atuando nas áreas mais críticas, seja com um trabalho de conscientização junto à população, através da imprensa e de campanhas educativas”, avaliou.

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