Bancada baiana na Câmara está mais jovem e escolarizada

Ao todo, são 34 deputados com ensino superior, contra 29 de 2014

A nova bancada da Bahia na Câmara dos Deputados, que toma posse hoje, será mais escolarizada e mais jovem das últimas quatro eleições. A mudança de perfil reflete a renovação de 38,4% no número de parlamentares eleitos para a Casa.

Dos 39 deputados federais eleitos em outubro, 24 conseguiram renovar o mandato –   61,6% do total. Outros 15 chegam ao Congresso Nacional pela primeira vez para representar a Bahia na 56ª legislatura da  Câmara, que termina em 2022.

Em comparação com 2014, o nível de escolaridade aumentou. Na nova composição da bancada baiana, 34 deputados eleitos têm ensino superior completo, o que representa 87% dos representantes do estado no Parlamento. Na eleição passada, eram 29.

A fatia dos reeleitos tem maior percentual de parlamentares com ensino superior. Dos 24 que renovaram o  mandato em 2018, 22 possuem graduação universitária. Já entre os 15 novatos, 12 concluíram algum curso de ensino superior.

Entre os cinco deputados federais sem curso superior, está o mais votado nas eleições passadas, com mais de 300 mil votos: o ex-deputado estadual Pastor Sargento Isidório (Avante), que assume pela primeira vez um mandato no Congresso.

Isidório declarou ter ensino superior incompleto. Já Igor Kannário (PHS), também novato, e Valmir Assunção (PT), reeleito em outubro, concluíram  apenas o ensino fundamental.

O  ex-prefeito de Guanambi Charles Fernandes (PSD), também debutante na Câmara, tem ensino médio. Ronaldo Carletto (PP), que vai para seu segundo mandato no Congresso, declarou à Justiça Eleitoral possuir apenas o ensino médio incompleto.

Idade
Há quatro anos, a média de idade da bancada baiana era de 53,1 anos. Agora, esse número que caiu para 51,8 anos. A redução foi impulsionada pela renovação dos deputados do estado. Enquanto os novatos da Câmara têm média de 47,9 anos, os reeleitos chegam a 54,3.

Da bancada, o mais novo parlamentar eleito pelo estado é Uldurico Pinto (PPL), com 26 anos. Dayane Pimentel (PSL), com 32, Igor Kannário (PHS), com 34,  Adolfo Viana (PSDB), com 37, e Mário Negromonte Júnior (PP), também com 37, completam o time dos mais novos.

Na outra ponta, o mais velho é José Rocha (PR), com 70 anos. Líder do partido na Câmara desde 2017, Rocha  está no Congresso desde 1995 e vai para o seu sétimo mandato. Ao lado de Cláudio Cajado (PP), 55 anos, é o mais antigo da bancada. Atrás deles estão Nelson Pelegrino (PT) e Sérgio Brito (PSD), ambos com seis mandatos.

Os seis forasteiros
Josias Gomes (PT)
Natural da cidade pernambucana de Aramaji, começou a carreira política na Paraíba, onde ajudou a fundar o PT. Veio para a Bahia no fim dos anos 1980 e se elegeu deputado em 2003.

João Roma (PRB)
Nascido no Recife, o neto do ex-deputado João Inácio Roma se mudou para a Bahia pela relação com o prefeito ACM Neto (DEM). Novato na Câmara, atua há 24 nos bastidores da política.

José Nunes (PSD)
Terceiro pernabucano da lista, Nunes nasceu em Belém de São Francisco. Sua carreira política foi toda construída na Bahia. Além de prefeito de Euclides da Cunha, foi deputado estadual.

Marcio Marinho (PRB)
Carioca, o bispo da Igreja Universal tem trajetória profissional no rádio e TV. Na Bahia, foi eleito deputado estadual em 2002.

Uldurico Jr (PPL)
Nascido no Distrito Federal, pertence a uma família com tradição na política. O seu pai, Uldurico Pinto, já exerceu mandatos na Câmara. O avô, José Alencar Furtado, foi deputado federal pelo Paraná.

Ronaldo Carletto (PP)
Capixaba, é dono de empresas de transportes na Bahia. Foi deputado estadual três vezes.
Número de negros tem ligeira queda
No recorte por raça, a quantidade de deputados negros eleitos pela Bahia em 2018 teve ligeira queda em comparação com a legislatura anterior.  Em 2014, seis parlamentares se autodeclararam pretos; agora, esse número caiu para cinco.

Três dos deputados negros foram reeleitos: Antonio Brito (PSD), Valmir Assunção (PT) e Marcio Marinho (PRB). Já Pastor Sargento Isidório (Avante) e Abílio Santana (PHS) são debutantes na bancada baiana.

Na legislatura passada, o grupo dos deputados negros tinha Bebeto Galvão (PSB), que trocou a disputa pela vaga de primeiro suplente do senador Jaques Wagner (PT), Irmão Lázaro (PSC), derrotado na corrida pelo Senado, e Tia Eron (PRB), que não conseguiu se reeleger.

A fatia dos que se declaram brancos também caiu de 23 para 21, no comparativo entre as legislaturas anterior e atual. Já aqueles que se autodeclararam pardos aumentaram de 10 para 13 no intervalo de quatro anos.

A representação feminina também permaneceu a mesma, com três  deputadas eleitas. Em 2014, foram eleitas Moema Gramacho (PT), atual prefeita de Lauro de Freitas, Tia Eron (PRB) e Alice Portugal (PCdoB), reeleita para seu quinto mandato.

Este ano, a bancada feminina da Bahia terá, além de Alice, Dayane Pimentel (PSL) e Lídice da Mata  (PSB), que trocou o Senado pela Câmara dos Deputados.
A representatividade feminina do estado no Parlamento – 7,6% – é bem menor do que a registrada nacionalmente. Dos 513 deputados eleitos no Brasil, 77 são mulheres, o que equivale a 15% de toda a Câmara.

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