Democratas criticam presença de Gleisi em posse de Maduro

ACM Neto aproveitou para cutucar o boicote que o PT fez na posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), já que os petistas não foram para a cerimônia do capitão reformado

Presidente nacional do Democratas, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), condenou a presença da presidente nacional do PT, a senadora e deputada federal eleita Gleisi Hoffmann, na posse de Nicolás Maduro na Venezuela. O democrata soteropolitano aproveitou para cutucar o boicote que o PT fez na posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), já que os petistas não foram para a cerimônia do capitão reformado.

“Tudo às claras: o PT prestigia a ditadura na Venezuela e lidera boicote à posse do presidente democraticamente eleito no Brasil”, afirmou ACM Neto, ao jornal Folha de São Paulo. Presidente do Democratas na Bahia, o deputado federal José Carlos Aleluia também criticou a presença da petista na cerimônia na Venezuela. “Nada mais coerente com a história dela e do partido. No momento em que o mundo inteiro entra em consenso sobre a calamidade social que se abateu sobre a Venezuela pelo fracasso da tirania bolivariana de Maduro, o PT segue sua sina de colocar a ideia de um projeto de poder populista de esquerda acima de qualquer valor humano”, disse.

Eleito deputado federal, Zé Neto minimizou e defendeu que o Brasil tenha “olhar sereno” e “sensato” para o país de Maduro. “Lá tem equívocos e nós temos que fazer as autocríticas. Daí a crucificar também não vou nessa. É um país pobre, latino, e vem sofrendo como outros sofreram […] ACM Neto fazer disso um cavalo de batalha é oportunismo, tentando surfar em uma situação que não acrescenta no Brasil. Ele que procure falar o que ele pensa para o país, o que vai ser feito com a Amazônia, por exemplo, já que é quer se  manifestar sobre tudo.  Na eleição, se escondeu para discutir as temáticas da Bahia”, declarou o petista.

Na rede social, a senadora Gleisi Hoffmann se defendeu.  “Nenhuma surpresa às críticas dos que ignoram as razões por eu ter aceitado o convite pra posse na Venezuela. Deixar de ir seria covardia, concessão à direita. A esquerda pode ter críticas ao governo Maduro, mas o destino da Venezuela está nas mãos do seu povo e de mais ninguém. Pra não esquecer, a Venezuela tem uma das maiores reservas de óleo do mundo. Seu presidente deve ser o próximo presidente da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo]. A atitude belicista de Trump pode internacionalizar o conflito venezuelano. EUA querem criar condições para isso. Nossa região será um novo Oriente Médio?”, indagou.

Maduro foi reeleito em maio do ano passado, com quase 70% dos votos, em eleição que foi boicotada pela oposição, teve alta abstenção e denúncias de fraude. A posse de Maduro em novo mandato não é reconhecida pela Assembleia Nacional e por dezenas de países.

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