Moradores relatam medo e pedem ajuda para deixar Edifício Excelsior, no Pelourinho

Prédio foi invadido e troca de tiros deixou dois homens feridos

Vestígios de sangue na entrada dos elevadores e em um sapato deixado por uma das vítimas na entrada Edifício Excelsior, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador. Em meio ao cenário, uma moradora recostada numa das pilastras do prédio questionou à equipe de reportagem do Jornal Correio da Bahia: “A perícia não vem? ”. “Estamos à espera de uma solução. Não queremos mais morar aqui”, emendou ela, amedrontada.

A mulher, que não quis se identificar, se recusava a voltar ao quitinete do andar do edifício, onde mora há nove anos com os filhos. Nesta quinta-feira (10), ela viveu cenas de horror ao presenciar uma troca de tiros, que deixou dois homens feridos – outras duas pessoas envolvidas no episódio foram presas em flagrante. Baleados no confronto seguem presos e  internados no Hospital Geral do Estado (HGE).

“Estamos com muito medo. Não temos segurança. Eles entram a qualquer hora, porque o prédio não tem quem faça a segurança. Precisamos que as autoridades olhem para nós. Não temos mais como viver aqui. O que aconteceu foi a gota d’ água”, lamenta,
O edifício tem sete andares e os moradores relatam pagar alugueis de R$ 150 a R$ 300. Além dos quitinetes, o local tem mais dois andares para lojas – porém, apenas uma delas, de aparelhos de som, está em atividade.

Segundo a moradora, esta não é a primeira vez que alguém é baleado no Edifício Excelsior. “Há três meses, dois homens foram mortos lá dentro. Eles andavam dentro do prédio junto com os rapazes que foram baleados ontem”, disse.

Em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), que negou a informação de que outras pessoas foram baleadas há três meses no Edifício Excelsior, já que não há registro de mortos e feridos no local, no período citado.

A moradora que contou, ainda, que desde o primeiro episódio, moradores passaram a abandonar o prédio.

“Tinham muitas famílias aqui, mas uma boa quantidade saiu, mesmo sem ter para onde ir, com medo da violência, por causa das brigas entre facções. Os moradores não têm envolvimento com essas coisas, mas gente de fora se instalou só para vender essas porcarias”, completou ela, que também se queixa da estrutura do local.

Ainda segundo a entrevistada, o local está cheio de infiltrações, canos entupidos e não tem água, o que obriga os moradores a comprarem galões de água, que costumam custar R$ 3,50.

BDM
Questionada sobre quais facções brigam pelo comando da boca-de-fumo que existe no Edifício Excelsior, a mulher preferiu manter silêncio e se juntou a outros moradores posicionados na frente do prédio, aguardando a autorização da polícia para que pudessem voltar às suas casas.

“Precisamos de segurança para que a gente possa ver nossas coisas que estão lá dentro. Teve gente que largou tudo no agonia dos disparos. Depois queremos um lugar para ir, pois não dá para viver assim nesse medo constante”, declarou outro morador.

Um ambulante da região, que já morou no Edifício Excelsior, disse que a facção que atua no prédio é a Bonde do Maluco (BDM). “Não sei qual é o outro grupo que atacou, mas o pessoal que se instalou lá, contra a vontade dos moradores, é do BDM. A gente sabe por causa das pichações nas paredes do prédio. Estão em muitos cantos”, disse ele.

Questionada sobre a presença de membros do BDM no prédio, a SSP-BA idsse, através de sua assessoria de comunicação, que “não comenta sobre facções”.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

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