DJ acusado de agredir ex-namorada já responde a outros quatro processos

Em 2008, ele foi preso em flagrante acusado de agredir e jogar da escada ex-companheira e sogra

Seis. Esse é o número de mulheres que foram agredidas e registraram ocorrência contra João René Espinheira Moreira, 33 anos, conhecido em Salvador como o DJ John Oliver. Ele responde a quatro processos no Tribunal de Justiça da Bahia, todos por agressão a mulheres, tendo, inclusive, sido preso em flagrante em 2008 após jogar da escada a sogra e uma ex-companheira.

O Jornal Correio da Bahia conseguiu entrar em contato com duas das vítimas de John Oliver, sendo uma delas a bacharel em Direito Juliana Galdino, agredida na madrugada de sexta (4) para sábado (5). A outra, que preferiu não se identificar, contou que recebeu murros na cabeça em frente a uma casa de show no bairro do Rio Vermelho. As duas registraram ocorrência e passaram por exames.

Bacharel em Direito Juliana foi uma das vítimas das agressões do DJ
(Fotos: Acervo Pessoal)

No entanto, além de conversar com duas das vítimas, a equipe teve acesso na íntegra a todos os processos que tramitam no TJ-BA contra João Espinheira. Confira abaixo o histórico do acusado, bem como, o depoimento dele sobre as situações.

Primeiro episódio

O histórico de agressão de João Espinheira, o que ele chama de “calcanhar de Aquiles”, é antigo, tendo começado há quase 11 anos, em 27 de janeiro de 2008, quando aconteceu o primeiro episódio, que foi levado à Justiça dois anos depois. Na ocasião, ele foi acusado de cometer lesões corporais contra a ex-companheira e a sogra, tendo empurrado ambas escada abaixo.

No processo, aberto em 2010, consta que uma das vítimas, com quem John Oliver tinha um relacionamento e dividia a casa, estava arrumando as malas para se separar do acusado. No entanto, ele, inconformado com a situação, agrediu a jovem, à época com 21 anos, com murros, empurrões, além de xingamentos.

Na tentativa de defender a filha, a sogra do DJ também foi agredida e jogada da escada. A polícia foi acionada e efetuou a prisão em flagrante de João, que, no momento, portava uma pistola de choque com as iniciais dele gravadas e um par de algemas. No entanto, em 31 de janeiro, foi concedida a liberdade provisória ao DJ.

A partir daí, o processo correu sem muitas movimentações na Justiça e sem sentença condenatória, tendo sido, em outubro de 2016, extinto por “prescrição retroativa”, segundo entendimento da juíza Nartir Dantas Weber, da 1º Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Salvador.

Com a decisão, o processo foi extinto sem a análise do mérito e, com ele, toda e qualquer pena que poderia ser aplicada contra João Espinheira, o DJ John Oliver.

Segundo episódio

O segundo caso de agressão contra o DJ levado à Justiça aconteceu em 10 de maio de 2014, tendo a ocorrência sido registrada da Delegacia Especial de Proteção à Mulher em julho do mesmo ano.

No documento, uma mulher, à época com 32 anos, ex-namorada de João Espinheira, acusa ele de tê-la atingido com “chutes, murros e pontapés”, além de ter desferido golpes contra ela com um cacetete, atingindo braços e pernas.

Em julho de 2014, a juíza Márcia Nunes Lisboa concedeu de ofício (sem precisar ouvir o acusado) medida protetiva em favor da vítima. Inicialmente, o prazo estipulado para a manutenção de distância e ausência de contato foi de 4 meses.

Após um tempo parado, o processo foi retomado em agosto de 2018, quando a agredida demonstrou interesse em continuar com a ação penal, apesar de ter afirmado à Justiça “que não mantém mais contato” com João Espinheira.

Terceiro episódio

Já o terceiro caso, que João Espinheira prefere chamar de “uma coisa de família”, envolve a irmã do DJ. De acordo com a ação penal que tramita no TJ-BA, em 13 de dezembro de 2016, John Oliver agrediu a irmã, dentro de casa, com socos na cabeça e nos braços.

“Foi uma briga de família. Minha irmã me ameaçou com uma faca e eu apenas me defendi, como qualquer pessoa faria”,  disse ele. Ainda segundo João, o processo trata de um assunto pessoal e de família, “algo que pode acontecer com qualquer pessoa”.

Na petição inicial deste processo, João se defendeu e disse que apenas deu um tapa na irmã. Ela, por sua vez, afirmou ainda que ele destruiu um notebook e um celular no momento da briga, que teve início porque o DJ teria agredido o animal de estimação da família.

Desta forma, com a ação penal em curso, em 19 de dezembro de 2016, a juíza Nartir Dantas Weber concedeu medida protetiva para afastamento e ausência de contato em favor da irmã de João. O acusado, no entanto, só recebeu a intimação em fevereiro de 2017.

Em agosto de 2017, durante audiência de conciliação, a qual o DJ não compareceu, a irmã de John Oliver afirmou que durante os meses de vigência das medidas protetivas o acusado “não entrou em contato com ela”, mas, diz “para terceiras pessoas, familiares em comum, que ‘se não retirar o processo vai ser pior para ela’”, referindo-se à vítima.

Por esse motivo, na mesma audiência foi pedida a renovação das medidas protetivas contra João Espinheira, que não foi citado ainda, em razão de não ter sido localizado pela Justiça. Cabe ressaltar que no dia em que agrediu a irmã, o DJ John Oliver estava acompanhado da então namorada Juliana, a mesma que sofreu agressões na madrugada deste sábado (5).

Quarto episódio

O último episódio, excluindo da contagem o deste sábado (5), ao qual tivemos acesso envolve uma mulher que, diferente das demais, sequer conhecia João Espinheira no dia em que alega ter sido agredida por ele.

De acordo com ela e com o boletim de ocorrência lavrado em dezembro de 2018, o DJ estava em uma casa de show no Rio Vermelho, acompanhado de uma mulher, mesmo lugar onde a vítima estava com mais duas amigas.

No momento da agressão, que aconteceu em setembro do ano passado, a vítima estava do lado de fora do estabelecimento à espera de um Uber, quando foi abordada por John Oliver. Horas antes, dentro da boate, houve uma confusão entre ela e a acompanhante do DJ, que acabou sendo expulsa do local.

A vítima acredita que John Oliver quis vingar a acompanhante e, por isso, “deu vários murros e socos” no rosto da mulher. “Eu fui até a delegacia no mesmo dia, mas precisei correr para um hospital, pois estava muito machucada. Depois voltei à delegacia e fiz o boletim de ocorrência”, contou.

Ainda segundo a mulher, “foi difícil abrir a ação penal”, porque ela não sabia o nome do DJ John Oliver. “Depois de descobrir o nome, o problema foi conseguir concluir a intimação, o que só aconteceu no final de outubro e já tem uma audiência de conciliação marcada para o dia 25 de fevereiro de 2019. Vamos ver se ele vai comparecer”, disse.

O que diz o acusado

Por telefone, João Espinheira afirmou que é um homem “correto e trabalhador”. “Se eu fosse um agressor, um sacana, não iria conseguir trabalhar e ter uma vida normal”, declarou.

Ainda segundo ele, “as pessoas se aproveitam da lei para transformar qualquer briga e discussão em processos, o que é muito sério, porque pode marcar a vida do outro, não tem como apagar”.

João Espinheira negou todas as acusações e disse que, mesmo nos processos ainda em curso, ele é inocente e todos os episódios não passaram de situações nas quais as mulheres, que não aceitavam o fim da relação, queriam se vingar dele. “Mulher é assim mesmo, acha que pode agredir e nada vai acontecer”, disse.

Quanto ao caso que envolve a irmã, João disse que ela é advogada e está usando da profissão para destruir a vida dele. “Esse é um caso à parte, porque, na verdade, ela que quis me agredir com uma faca e eu apenas me defendi, como qualquer pessoa faria”, concluiu.

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