Não pode ficar por isso mesmo, diz vizinha de jovem morta em Itapuã

Ialorixá organiza um protesto e pedido por justiça nesta quarta (3)

“Essa morte não pode ficar por nada, eu como mulher e como mulher negra de periferia me sinto no dever de fazer algo a respeito, para que parem de nos matar”, promete a mãe de santo Mãe Jaciara, do terreiro Axé Abassá de Ogum.

Amiga da família de Dara dos Santos Cavalcante, 23, jovem encontrada morta na segunda-feira  (31), nas dunas de Itapuã, a ialorixá pretende organizar um protesto nesta quinta-feira (3), junto com outras mulheres da localidade, para evitar que o caso caia no esquecimento e que ninguém seja responsabilizado pelo crime.

A morte de Dara deixou um clima de tristeza medo entre os moradores de Nova Brasília de Itapuã, bairro onde morava. Desde que o corpo dela foi encontrado, vizinhos e familiares lamentam a morte da jovem e se sentem inseguros no local, já que o culpado ainda não foi preso.

O corpo de Dara foi encontrado nas dunas de Itapuã (Foto: Acervo pessoal)

Dara trabalhava em uma unidade da rede de farmácia Extrafarma, no bairro da Pituba. A mãe da jovem sentiu falta da filha após ela não ter voltado para casa no domingo (30), depois do trabalho. No dia seguinte, a comunidade saiu para procurá-la e achou um pedaço da farda que ela costumava usar no trabalho. Em seguida, os vizinhos encontraram o corpo. A Polícia Militar foi acionada por volta das 18h40 e o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML).

O enterro de Dara aconteceu nesta quarta-feira (2), no Cemitério de Pirajá, às 14h. Em entrevista, Mãe Jaciara conta que ajudou nos preparativos, pois a mãe da jovem não tinha condições de fazê-lo.

“É deprimente, ela (a mãe de Dara) está muito mal, muito triste. Os vizinhos é que estão dando comida a ela, cuidando dela”, lamentou a mãe de santo.

Feminicídio
De acordo com a ialorixá, este é o segundo homicídio praticado contra mulheres em Nova Brasília de Itapuã nos últimos meses. “Três casas antes do meu terreiro, mataram uma mulher estrangulada, e agora Dara”, lamentou. Ela contou que a comunidade suspeita de um homem que pratica assaltos com frequência na localidade, e também é usuário de drogas.

Ainda segundo Mãe Jaciara, uma foto do suspeito estaria circulando pelo WhatsApp dos moradores da região, como uma forma de alertar a população para que tomem os devidos cuidados. Ele está desaparecido desde a morte de Dara. O homem não teria nenhum envolvimento emocional com a vítima, mas a comunidade desconfia que o caso se trata de um feminicídio.

A Polícia Civil, que está investigando o caso, no entanto, afirma que não é possível afirmar com certeza se o crime se trata de feminicídio, pois não há como tipificar o crime sem saber a sua motivação. A polícia tem indicativo da autoria do delito, mas não divulgou o nome do suspeito.

Os exames não constataram indícios de violência sexual. Os policiais aguardam os laudos periciais do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para saber a causa da morte. A investigação está sendo liderada pela delegada Milena Calmon, titular da 1ª Delegacia de Homicídios (Atlântico).

Dara namorava um rapaz da região. Vizinha da jovem, a ialorixá viu a menina crescer. “Era menina de casa, uma jovem normal que trabalhava, era feliz, conhecida por todo mundo aqui. A família de Dara é evangélica. Ela não frequentava o terreiro, mas quando a gente se torna mãe de santo de uma comunidade, a gente vira mãe da comunidade”, afirmou.

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