Deputados eleitos pelo PHS vão mudar de partido

Igor Kannário e Abílio Santana, eleitos deputados federais, vão deixar o PHS, que caiu na cláusula de barreira

Em virtude da cláusula de barreira, os dois deputados federais eleitos pelo PHS na eleição deste ano, Igor Kannário e Pastor Abílio Santana, vão mudar de partido. Sem atingir o índice mínimo de votos válidos nem elegerem parlamentares em número suficiente para a Câmara dos Deputados, a sigla humanista e mais 13 agremiações foram enquadradas na cláusula e vão ficar sem tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV nem verba do fundo partidário. Eleito pela primeira vez para Câmara dos Deputados com um pouco mais de 50 mil votos, o Pastor Abílio Santana está de malas prontas para o PR, partido que integra a base do governador reeleito Rui Costa (PT). A mudança para a sigla chamou a atenção pelo fato de Abílio ser aliado do prefeito de Salvador e presidente nacional do Democratas, ACM Neto. No entanto, o ainda humanista argumenta que a legenda está também coligada ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). “Eu sou bolsonarista. Eu sou anti-PT. Sou radicalmente contra a ideologia de gênero. Coisas que sejam contra a família tradicional”, disse.

Abílio disse que foi para o PR após conselho do vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM). “Estive em Brasília com o prefeito ACM Neto e o Bruno Reis. Bruno e eu somos muito amigos. Então, foi uma sugestão dele [ir para o PR] e eu aceitei. Antes da janela partidária fechar, uns quatro dias antes da posse, vou mudar de partido”, afirmou. Ele declarou, ainda, que tem “mágoas” do presidente do PHS na Bahia, Júnior Muniz. Segundo ele, Muniz “boicotou” sua campanha. “O que fez comigo dói na alma. Foi depositado R$ 750 mil para minha campanha e recebi míseros R$ 4,5 mil”, acrescentou.

Eleito deputado estadual, Muniz migrou para a base de Rui Costa e deve se filiar ao PP, agremiação comandada pelo vice-governador reeleito da Bahia, João Leão. Presidente do PR na Bahia, o deputado federal José Carlos Araújo, que não conseguiu a recondução, assegurou que, apesar do ingresso de um aliado de ACM Neto na sigla, o partido permanece no grupo petista. “De jeito nenhum, não há hipótese [de mudar de lado]”, salientou. “[Pastor Abílio Santana] conversou com a gente lá em Brasília, e optou pelo PR, mas desconheço interferência de ACM Neto [na filiação dele]”, emendou.

Vereador de Salvador, o deputado federal eleito Igor Kannário também vai deixar o PHS. A expectativa é que se filia ao DEM, mas o martelo ainda não está batido. Com a possível ida do cantor-político para o DEM, a sigla de ACM Neto passará a ter cinco federais. Além dele, Elmar Nascimento, Arthur Maia, Paulo Azi e Leur Lomanto também garantiram vaga na Câmara dos Deputados.

O cantor-político foi convidado pelo deputado federal eleito Bacelar para o Podemos, mas a tendência é de que Kannário permaneça na oposição. O convite aconteceu após o Podemos nacionalmente anunciar que vai se fundir com o PHS. “Eu o convidarei pra que ele fique [no Podemos], para que ele venha para base do governador Rui Costa (PT) e ele aceitando isso, não teremos problemas”, contou Bacelar recentemente. Os vereadores do PHS Isnard Araújo, Cátia Rodrigues e Téo Senna também devem deixar a sigla.

Outro deputado que também pretende mudar de partido é parlamentar estadual Pastor Tom. Ele foi eleito pelo Patriota, que também foi enquadrada na cláusula de barreira. O Pastor Tom afirmou, no entanto, que só vai pensar no assunto após resolver um imbróglio na Justiça. A Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE-BA) pediu a cassação do diploma do parlamentar.

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