PR não vai pedir cargos a Bolsonaro, garante Rocha

Com 33 deputados, o apoio da agremiação eleva para 108 o total de parlamentares na base do futuro governo

O PR anunciou que irá integrar a base do Governo Jair Bolsonaro (PSL) no Congresso Nacional. Com 33 deputados, o apoio da agremiação eleva para 108 o total de parlamentares na base do futuro governo. O número ainda é insuficiente para a aprovação de emendas constitucionais ou projetos de lei complementar – que precisam de 308 e 257 votos, respectivamente. “O que levou o PR a apoiar Bolsonaro foi justamente as propostas que ele anunciou para a nossa bancada, uma nova era de governabilidade”, afirmou José Rocha à Tribuna. O republicano afirma que a legenda não negociou cargos no Executivo Federal para selar o apoio. “Não tratamos de cargos. Nós não vamos pedir cargo nenhum ao governo Bolsonaro”.

Indagado sobre a principal bandeira de Bolsonaro, que é a Reforma da Previdência, Rocha defende um novo projeto mais duro para ser implantado ao longo de três décadas. “A Reforma da Previdência, ele apresentou uma reforma fatiada, mas apresentei uma sugestão. Seria fazer uma reforma dura para 30 anos, a longo prazo, mas que ela vigora para quem entrar no sistema após a promulgação da emenda. E fazer o projeto de lei complementando os pontos mais emergentes, como idade mínima”.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, no mesmo dia em que se reuniu com Bolsonaro, a legenda também abriu um canal de comunicação com outros 14 partidos. O objetivo seria formar um grande bloco com cerca de 300 parlamentares, o que também pode contribuir para a decisão do futuro presidente da Casa. Fazem parte PP, MDB, PSD, PR, PSB, PRB, PSDB, DEM, PDT, Solidariedade, PTB, PCdoB, PSC, PPS e PHS.  O líder do MDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), já disse que o partido não vai fazer indicações para o governo eleito.  “Estamos vivendo uma nova política. O MDB não reivindicou cargos, não tem pretensão de indicar ninguém no governo, mas tem a responsabilidade de debater uma agenda programática, uma agenda que possa significar geração de empregos, melhora na economia, melhora na qualidade de vida da população”, afirmou Rossi na última semana.

No final de novembro, à Tribuna, Mario Negromonte Jr afirmou que o PP “não tem fechamento de questão para apoiar Bolsonaro”. “Nós aqui na Bahia apoiamos o PT de Haddad. Uma parte do PP nacional apoiou Bolsonaro e outra apoiou Haddad, Ciro ou Alckmin. O partido não tem fechamento de questão para apoiar Bolsonaro. À princípio não há nenhuma perspectiva de indicar nada e nem de participar do governo”.

Nesta semana, o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, avaliou como positiva a iniciativa do futuro governo para dialogar com os partidos e com o Congresso. Segundo ele, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) vai precisar “fundamentalmente” do Congresso Nacional para aprovar os projetos e precisa dialogar com os partidos. “Desde as primeiras conversas que tive com Onyx [Lorenzoni – futuro ministro da Casa Civil], eu sentia essa disposição em dialogar com os partidos, as bancadas e ouvir as lideranças partidárias. Hora nenhuma eu percebi qualquer indisposição neste sentido. A política é arte do diálogo, da construção de caminhos a partir de entendimentos. Eu não vejo outra forma de fazer político. O governo tem uma agenda desafiadora para começo do próximo e vai precisar fundamentalmente do Congresso Nacional”, declarou.

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