Wagner destaca importância de bancos públicos para o desenvolvimento

O senador eleito participou da edição do projeto "Diálogos Capitais", que debateu a onda de privatizações já em curso no atual no governo, que promete ser acentuada no próximo

A ameaça de privatização dos bancos públicos pelo futuro presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi um dos temas principais da edição soteropolitana do projeto “Diálogos Capitais”, promovido pela revista “Carta Capital”, no Clube Espanhol. O senador eleito Jaques Wagner (PT), Rita Serrano, representante dos trabalhadores no Conselho da Caixa, Mino Carta, diretor de redação da publicação, o Professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, e o empresário Tiago Coelho debateram a onda de privatizações já em curso no atual no governo, que promete ser acentuada no próximo. O parlamentar afirmou que prefere aguardar as medidas do novo chefe do executivo federal para se manifestar. “Sempre defendi que um país com a dimensão do Brasil precisa ter ferramentas públicas para poder operar uma sociedade com tanta desigualdade”, disse Wagner aos jornalistas presentes. “Vamos ver o que eles [governo Bolsonaro] têm para apresentar. Por enquanto, são só promessas e vamos ver o que eles efetivamente vão concretizar”.

Em diversas entrevistas desde a campanha eleitoral, Bolsonaro tem falado em privatizar empresas públicas. Entretanto, reafirmou que os bancos públicos não serão vendidos.  Ainda sobre as privatizações, o deputado defendeu a venda e até a extinção das estatais que dão “prejuízo financeiro” ao país. Durante o evento, Wagner disse que os bancos públicos têm papel fundamental na questão do desenvolvimento. “As pessoas investem naquilo que acreditam que podem obter lucros. E em um governo de crise, a tendência é todo mundo se proteger, se trancar, ser absolutamente conservador. Quem é que puxou a fila e garantiu a quantidade de desenvolvimento? O crédito garantido pelo Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica. O setor privado pensa o contrário. Quem é que tem a coragem de se arriscar em função do país? É exatamente o setor público”, afirmou.

Para o senador eleito, “a turma” do ministro da Economia Paulo Guedes “não tem nenhuma preocupação com o projeto de desenvolvimento nacional”. Mino Carta, por sua vez, também criticou Guedes. Para o jornalista, o economista está alinhado com os anseios dos empresários de mídia. “A lição do Guedes está promovendo a mídia nativa”, ironizou. Apesar de dizer que não pretende extinguir bancos públicos, Bolsonaro vai atacar outras estatais. Ontem, a IstoÉ Dinheiro divulgou que a estatal Empresa de Planejamento e Logística (EPL), vinculada ao Ministério dos Transportes, deve ser extinta. A empresa foi criada na administração PT para implementar o fracassado projeto de trem-bala. Estudos realizados pela equipe de transição do novo governo consideram que “não se justifica” a manutenção dessa estrutura que consome R$ 70 milhões de recursos públicos por ano – a maior parte para pagar a folha de 140 funcionários.

Sem gulodice

Ainda durante o evento, Wagner falou aos jornalistas sobre a possibilidade de assumir a liderança do PT no Senado.  O parlamentar é um dos principais cotados para o posto, uma vez que tem bom trânsito entre as diversas ramificações petistas – além da grande proximidade e alinhamento ideológico com o ex-presidente Lula.  “Ainda não fizemos uma reunião da bancada. Mas eu, como estou chegando agora lá, prefiro deixar que alguém com mais vivência no Senado ocupe esse espaço. É claro que tenho experiência parlamentar, porque fui 12 anos deputado. Mas estou chegando em uma casa nova e prefiro chegar sem gulodice”.

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