Sem patrocínio, exposição agropecuária é cancelada em Vitória da Conquista

Este ano a feira gerou mais de R$ 100 milhões em negócios

Mesmo tendo gerado mais de R$ 100 milhões em negócios em sua 51ª edição em 2018, realizada em março, a Exposição de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, teve a edição de 2019 cancelada por falta de apoio financeiro.

O evento que é um dos principais do agronegócio no interior da Bahia já tinha apresentado dificuldades na edição deste ano, quando foi realizado em uma semana, sendo que nas edições anteriores durava até 15 dias.

Segundo divulgou a diretoria da Cooperativa Mista Agropecuária (Coopmac), organizadora do evento, a entidade não conseguiu apoio de “parceiros históricos” para arcar com os custos de energia elétrica, segurança, mão de obra, dentre outros.

A queixa maior é com relação à Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri) e o Ministério da Agricultura, os quais não responderam aos questionamentos  sobre a falta de apoio ao evento até o momento da publicação dessa reportagem.

O cancelamento ocorre em momento de recuperação econômica da cooperativa, que possui 256 associados e tinha conseguido negociar dívidas de gestões anteriores, inclusive cedendo parte do terreno do Parque de Exposições Teopompo de Almeida.

Desde que passou a ser realizada todo ano, durante a década de 1980, na gestão do produtor rural Nelson Quadros – antes, era a cada dois anos –, a Exposição de Vitória da Conquista nunca tinha sido cancelada e sobravam interessados em apoiar.

O presidente do Sindicato Rural de Vitória da Conquista, Quadros lamenta a situação atual em que a diretoria da Coopmac se encontra e avalia que a decisão de cancelar o evento foi o mais correto para evitar que a entidade contraia mais dívidas.

“Foi uma atitude coerente cancelar o evento. Fui presidente da cooperativa e sei quanto custa fazer a exposição, os apoios que precisa ter para que ele seja viável, e sem esse apoio não tem como”, declarou Quadros, associado da Coopmac.

Quadros espera que a situação chame a atenção das autoridades estaduais e federais, e, sobretudo, “os políticos que não fazem nada e sempre aparecem na exposição fazendo discursos, usando o evento como palanque”.

“Quando falo que foi interessante esse choque é porque é preciso saber que as pessoas devem se mexer. A cooperativa não pode fazer festa pras pessoas sem que tenha verba. É muito anêmica a ajuda da Prefeitura, do Estado nem se fala”, disse.

Mobilização
A Prefeitura de Vitória da Conquista, em nota, declarou que “desde 2017 [início da gestão do prefeito Herzem Gusmão (MDB)], o Município não tem medido esforços para participar do evento”.

Destacou que nas duas últimas edições levou para a Exposição “o Gabinete Itinerante, onde o prefeito e secretários atendem os produtores e a comunidade; um stand com o envolvimento da Secretaria de Agricultura; além de serviços de saúde, iluminação, mobilidade e paisagismo em todo o entorno e dentro do Parque de Exposição”.

Herzem Gusmão, que está em Brasília, “solicitou uma reunião com o Conselho Consultivo e o Movimento Pró-Conquistas para tratar do assunto, entendendo a importância econômica do evento para o município e região”, diz a nota.

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Humberto Miranda disse que lamenta a situação, “já que se trata de umas das exposições mais tradicionais da Bahia, sendo uma referência no estado, e em uma região tão importante para o setor agropecuário”.

“O Sistema Faeb/Senar sempre foi um parceiro da Exposição, apoiando o evento de todas as formas, através de diversas parcerias com a cooperativa, com os Sindicatos dos Produtores Rurais da região”, declarou.

Miranda observou que a Faeb foi um dos mais de 400 expositores oriundos de 12 estados que compareceram na edição de 2018. “Esperamos que esse quadro se reverta para que a Bahia não fique sem essa grande exposição, que é importante não só para Vitória da Conquista, mas sim para toda a agropecuária baiana”, afirmou.

Expositor em diversas edições do evento em Vitória da Conquista, a Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé) também vem tendo problemas para encontrar apoio financeiro para realizar em Salvador o Agrocafé, evento nacional do setor.

“Já fizemos 16 eventos, muitas pessoas de outros estados perguntam quando ocorrerá outro, pois interessa muita gente, é importante para o setor. Mas, como em Conquista, não encontramos apoio”, disse o presidente João Lopes Araújo.

“O Agrocafé, na dimensão que fizemos, era um evento que custava R$ 500 mil, com palestrantes do Brasil e exterior, apoio do Ministério da Agricultura, Governo da Bahia, entidades diversas, mas todo mundo ficou sem disponibilidade”, comentou.

Compartilhar