Possível ampliação do pedágio da Estrada do Coco gera insatisfação em políticos e moradores

por Bruna Castelo Branco

Na manhã do dia 14 de janeiro deste ano, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), assinou a ordem de serviço para a construção da Via Metropolitana Camaçari Lauro de Freitas, uma alternativa para os motoristas evitarem o trânsito do município de Lauro de Freitas para chegar a Salvador. A obra, que tem previsão de conclusão para até 18 meses, será executada pela Concessionária Bahia Norte (CBN), com o investimento de R$ 220 milhões, reavivou um antigo conflito que aflige os moradores do distrito de Camaçari, Vila de Abrantes: a possibilidade da instalação de uma praça de pedágio entre os municípios de Camaçari e Lauro de Freitas. No projeto consta que parte da praça administrada pela Concessionária Litoral Norte (CLN), localizada na BA-099, pode ser desmembrada para a região do Rio Joanes, próximo a Lauro de Freitas. Dessa forma, os moradores de Vila de Abrantes, para ir a Salvador passariam a ter que pagar o pedágio – mas para voltar, no sentido Arembepe, continuaria a não ser necessário. Para quem já mora depois do pedágio não fará diferença, mas, caso o desmembramento seja efetivado, uma região maior estará pedagiada. Outra questão reivindicada pelos moradores é que, com o desmembramento da praça, a Via Cajazeiras de Abrantes, alternativa para quem não quer pagar o pedágio, perderá a utilidade: com a transferência para os limites de Lauro de Freitas, o valor terá que ser pago de qualquer forma. Assim, a região de Abrantes pode ficar entre duas praças de pedágio.

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De acordo com o secretário de infraestrutura do Estado da Bahia, Marcos Cavalcanti, ainda não há qualquer definição sobre o assunto. Segundo ele, o deslocamento de parte da praça do pedágio possibilitará o financiamento de obras – solicitadas pelos moradores de Camaçari – pela iniciativa privada. “Caso parte do pedágio seja transferido, obras como a duplicação e requalificação da Estrada da Cascalheira, do viaduto de acesso a Camaçari e iluminação de todo o trecho urbano poderia ser feita pela iniciativa privada”, explicou o secretário. A duplicação da Estrada Cascalheira está estimada em cerca de R$ 40 milhões, e a pista dupla no Viaduto dos Trabalhadores, na saída de Camaçari, está estimada em R$ 8 milhões. Segundo o prefeito de Camaçari, Ademar Delgado (PT), a vantagem dessa mudança seria que, com essas obras financiadas pela iniciativa privada, a verba pública poderia ser aplicada em outros setores. Para Delgado, instalar uma praça de pedágio na Via Metropolitana, e não na Estrada do Coco, poderia fazer com que a via acabasse não sendo utilizada. “Há duas alternativas: ou colocar a praça na Via Metropolitana ou na região do Clube da Caixa, na Estrada do Coco. Se ficar na Via Metropolitana, só vai pagar quem quiser entrar por lá, e acabou. Então pode acontecer que ninguém queira utilizar a via alternativa, e o trânsito de Lauro de Freitas continuará engarrafado”, afirmou. Ainda de acordo com o prefeito, audiências públicas serão realizadas com a população de Camaçari para que seja tomada uma decisão conjunta. “Está sendo feito um estudo para estimar os valores a serem pagos. Vamos mostrar à população quais são as vantagens em instalar a praça de pedágio na Estrada do Coco e na Via Expressa. Uma não tem contrapartida alguma para o município, e a outra tem”, opinou o prefeito. Ainda não há informações de quando essas audiências irão ocorrer e nem quanto ao seu formato.

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A vereadora da Câmara de Camaçari, Patrícia Santos (PT), mais conhecida como Professora Patrícia, é contra o projeto. Segundo ela, o desmembramento do pedágio pode atrapalhar o desenvolvimento da região de Abrantes. “Essa mudança se deve ao crescimento de nossa região, em toda Camaçari o lugar que mais de desenvolve é Abrantes. Aqui agora tem dois shoppings, vários condomínios, e isso por estar antes do atual pedágio. E o fluxo de veículos aqui também é muito grande”, afirmou. De acordo com ela, a situação já assusta alguns moradores da região, que temem a desvalorização de imóveis: “A gente aqui na região vê que não há qualquer necessidade. Conheço pessoas que já querem colocar o apartamento para vender”. Os moradores da região já estão se organizando para manifestações contra o desmembramento do pedágio e colhem assinaturas em um abaixo-assinado. “Já temos mais de cinco mil assinaturas, e estamos trabalhando para ter muito mais”, afirmou. A possibilidade da mudança do pedágio mobiliza os moradores de Abrantes há cinco anos. Entre os anos de 2010 e 2011, foram realizados 11 protestos na tentativa de evitar a mudança, que, na época, foram bem sucedidas. Ari Rodrigues, membro da Associação de Moradores do distrito de Abrantes e um dos coordenadores do movimento “Diga Não ao Pedágio”, afirmou que “a luta é árdua, e irá continuar”. “Ali não é pedágio, é curral”, disse Rodrigues. Segundo ele, o movimento é apartidário, mas, para a impressão de cartazes e panfletos, recebe doações de empresários locais. “A gráfica doou os panfletos que a gente vai utilizar, e alguns empresários, que preferem não se identificar por medo de represálias do governo, também ajudam”, informou. Nesta quinta-feira (19), a Associação de Moradores realizou uma reunião para decidir os próximos passos. De acordo com a vereadora Patrícia, o grupo pretende unir mais pessoas para que o movimento fique maior e mais fortalecido. Segundo ela, manifestações de rua, como as que ocorreram em 2010, estão nos planos da população local.

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