Oposição critica ‘ingerência’ de Rui na eleição da ALBA

Targino Machado, que é cotado para ser o futuro líder da oposição, disse que a “ingerência de Rui Costa é descabida”

A oposição subiu o tom, ontem, contra o governador reeleito Rui Costa (PT), que pediu aos aliados candidatos à presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) para não pedir apoio aos oposicionistas na disputa pelo comando da Casa. O petista baiano não quer que a minoria seja decisiva para a vitória do novo chefe do Legislativo, como ocorreu quando Ângelo Coronel (PSD) conquistou o assento principal da AL-BA no ano passado. Para o deputado estadual reeleito Targino Machado (DEM), que é cotado para ser o futuro líder da oposição, a “ingerência de Rui Costa é descabida”. “Não reconhece a competência e legitimidade do governador neste processo. É uma coisa antiética e imoral. Se eu fosse da bancada do governo, eu iria me insurgir contra isso. Quem está errado nisso são deputados. Isso aqui virou um apêndice, uma secretaria do governo para Rui Costa ficar dando pitaco. Essa Casa, infelizmente, não tem autoridade para se impor contra o governo. Como é que vai ter então autoridade para fiscalizar, que é um dos nossos papéis?”, questionou o democrata, em entrevista. “É um falta de respeito ao Parlamento”, acrescentou.

Na mesma linha, o deputado estadual reeleito Alan Sanches (DEM) afirmou que o governador quer “nomear” o novo presidente. “Os poderes são independentes, mas parece que ele quer nomear como se fosse um secretário seu. É muito ruim. Claro que ele quer um aliado dele na presidência, mas não precisa ser extremamente submisso e subordinado”, declarou. Sanches acusou, ainda, o chefe do Palácio de Ondina de “perseguir” a oposição. “O desejo dele é que não tivesse oposição. A forma como ele trata, ao não pagar as emendas da oposição, mostra a perseguição dele a nós, aos prefeitos, principalmente, do DEM e do PSDB. Eu mesmo não tive execução de nada [das emendas] no ano passado. Essa é forma dele de governar”, reclamou. Anteontem, o próprio presidente da AL-BA, o senador eleito Angelo Coronel (PSD), afirmou que discorda do pedido do governador para a oposição não participar das discussões sobre o embate.

“Eu acho que o governador tem o pensamento, mas eu sempre digo que a Casa tem 63 parlamentares. Então, os 63 parlamentares que têm que opinar e deve escolher quem vai presidir a Casa no próximo biênio. É evidente que o governador quer que o nome saia da base e haja unidade e não precise que a oposição venha somar para vitória que seja da simpatia dele. […] A pessoa não tem que se eleger pensando apenas para base, mas tem que eleger e administrar para um conjunto de deputados”, afirmou, em entrevista à rádio Metrópole. Coronel pediu, ainda, que tenha uma candidatura única e discordou que o novo chefe do Legislativo tem quer ser o PP ou do PSB, já que o PSD estaria contemplado com dois senadores. Hoje, postulam o cargo: Nelson Leal (PP), Adolfo Menezes (PSD) e Alex Lima (PSB).

PSB

Ontem, o deputado estadual Alex Lima (PSB) refutou as especulações de que desistirá da própria candidatura à presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). O parlamentar disse que seu nome pode “significar a união e a consolidação da base do governador Rui Costa” e minimizou os 19 apoios já conquistados pelo adversário Nelson Leal (PP). “A posição que está posta não está consolidada, a política é dinâmica. Ninguém acreditava na candidatura de Angelo Coronel [o atual presidente]. Há tempo de dialogar, de mostrar, propor. A maioria da base ainda não se posicionou. A eleição é em fevereiro. Na política é muito ruim o ‘já perdeu’ ou o ‘já ganhou’”, avaliou. Ainda de acordo com Lima, o PSB no comando da Assembleia poderia restaurar o ‘reequilíbrio de forças’ após a senadora Lídice da Mata (PSB) ter ficado de fora da chapa majoritária nas últimas eleições.

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